Um banho de história antes do início das gravações

Uma semana antes de o elenco de Amor e Revolução começar a gravar, o SBT promoveu dois dias seguidos de workshop para informar aos atores sobre o que foram os anos 60 e 70 e, mais especificamente, para falar sobre a Ditadura Militar no País.

Gilberto Amendola - Jornal da Tarde,

05 Abril 2011 | 15h06

 

O primeiro encontro foi marcado para as 10h do dia 3 de janeiro, o primeiro dia útil de 2011. A maioria do elenco estava lá. Até Paulo Cesar Pereio, famoso boêmio. "Mas não vai demorar, não é?", brincou. No estúdio do SBT, era possível reconhecer personalidades, como Antonio Petrin, Cláudio Cavalcanti, Jayme Periard, Cacá Rosset e Lúcia Veríssimo.

 

A produção decorou o estúdio, onde aconteceria o workshop, com elementos dos anos 60 - principalmente eletrodomésticos. Além disso, parte do figurino já estava em exposição. Em um telão, eram exibidas imagens de manifestações estudantis e de militares - com destaque para uma cena em que aparecia a presidente Dilma Rousseff (jovenzinha, de óculos escuros e vestido). "É ela? É ela?", se perguntavam alguns atores.

 

O primeiro a falar foi o próprio autor da trama, Tiago Santiago. "Só queria pedir para vocês (atores) tomarem cuidado e evitarem cacos (improvisações no texto). Não é por nada, mas se, por exemplo, alguém disser que o Jango, o presidente João Goulart ‘fugiu’ ou foi ‘covarde’, podemos ter problemas com a família dele e até impedidos de citá-los na novela".

 

Antes dos convidados falarem, a produção simulou um atentado dentro do estúdio. A farsa chegou a assustar. O diretor da novela, Reynaldo Boury, deu um pulo na cadeira e brincou dizendo que demitiria todos os envolvidos. "Quem foi o responsável?", perguntava o diretor.

 

Foi o músico Luiz Ayrão que, com o violão em punho, subiu ao palco. "Eu não me assustei com esse tiro, não. Moro no Rio de Janeiro", disse. Ayrão falou sobre sua prisão, sua participação no movimento estudantil e a censura. E cantou seu maior sucesso (gravado por Roberto Carlos), Nossa Canção (que estará na trilha da novela), e um samba chamado Divórcio, composto quando a Ditadura completou 13 anos, em 1977 (Treze anos eu te aturo/Eu não aguento mais/Não há cristo que suporte/Eu não suporto mais...). Ayrão foi bastante aplaudido.

 

Mas quem comoveu o elenco foi o ex-deputado Ricardo Zaratini, que falou sobre as torturas sofridas nas duas vezes em que foi preso, durante a Ditadura. No segundo dia de workshop, a jornalista Rose Nogueira arrancou lágrimas ao contar em detalhes sobre o período em que ficou presa 30 dias após o nascimento de seu primeiro filho. Ao final dos encontros, o elenco se mostrou contente e chocado com o que ouviu por lá - e, principalmente, disposto a transportar aqueles sentimentos e indignação para seus personagens de Amor & Revolução.

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