Um amargo alerta sobre culto do corpo

DVDteca - Filme do americano Albert Lewin recria clássico de Oscar Wilde com fidelidade e talento

Antonio Gonçalves filho, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2009 | 00h32

A versão de 1945 do clássico de Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray, pode parecer à primeira vista uma elegia ao camp por conta dos efeitos especiais que mostram a transformação da enigmática pintura que "envelhece" enquanto seu modelo mantém os traços de sua juventude. No entanto, o filme, dirigido pelo norte-americano Albert Lewin (1894-1968), agora lançado em DVD pela Continental, é mais que um exemplar curioso do gênero horror, muito popular no pós-guerra. A história é simples, mas não a reflexão filosófica de Wilde sobre o hedonismo desse homem, capaz de vender a alma ao diabo para conservar sua juventude.

Antes mesmo que o século 20 consagrasse o teenager como o modelo que iria definir os rumos da modernidade e do consumo, Wilde já alertava para a superficialidade das vítimas da moda, transformadas em monstros irreconhecíveis. Dorian Gray é uma delas. Dândi amoral, ele consegue convencer um eloquente amigo lorde a pedir a um famoso pintor que pinte seu retrato. Seduzido pela vida marginal após a morte de uma cantora pela qual se apaixona, Dorian Gray sucumbe à deformação moral sem sofrer os danos físicos que traz sua vida desregrada. Em seu lugar, o retrato assume a decadência.

O filme de Lewin reúne um elenco de primeira e tem produção caprichada, digna da luxúria e vaidade do protagonista da novela. Graças ao talento do diretor, O Retrato de Dorian Gray, porém, não fica na superfície. Deixa um gosto amargo de alerta sobre o culto ao corpo.

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