TV dos EUA terá primeiro programa cômico sobre câncer

Cathy Jamison quer uma piscina em seu jardim minúsculo. Ela acaba de receber o diagnóstico de um melanoma em estágio terminal, e ela quer aquela piscina agora.

JILL SERJEANT, REUTERS

12 de agosto de 2010 | 14h43

Interpretada pela premiada atriz Laura Linney, Cathy é uma professora suburbana muito certinha com um marido imaturo e filho rebelde. E é a protagonista da primeira comédia sobre câncer na televisão americana.

Mas "The Big C", que estreia no canal a cabo Showtime em 16 de agosto, não é tanto um seriado divertido sobre alguém que combate a doença quanto uma comédia sobre uma mulher de meia idade que tem câncer e decide como quer viver o que lhe resta de vida.

"Cathy é uma mulher que não sabe realmente quem é. Ela tem a oportunidade de descobrir e a aproveita. Conquista um sentimento de liberdade, o que é estranho, já que está morrendo", disse Linney a jornalistas de TV.

Até o final de 2020 cerca de 1.5 milhão de americanos devem receber um diagnóstico de câncer de algum tipo, e mais de 669 mil vão morrer dessa doença, segundo a Sociedade Americana do Câncer.

Por isso, apesar de o tema parecer pouco indicado para se fazer humor, a criadora de "The Big C" acha que já era hora de ser feita uma comédia de humor negro sobre o câncer.

"Os sobreviventes do câncer ou pessoas que tiveram contato com a doença se sentem subrepresentados na televisão. Espero que agora sintam que têm uma heroína com quem podem rir e chorar", disse Darlene Hunt à Reuters.

Hunt declarou que tem pouca experiência pessoal com câncer, mas a ideia de fazer uma comédia sobre um tema tão tabu a atraiu.

O seriado de TV favorito dela é a comédia dos anos 1970 "M*A*S*H", que, embora fosse ambientada na Guerra da Coreia, virou um dos maiores sucessos da TV na época da dura Guerra do Vietnã.

"Se puderam fazer uma comédia sobre a guerra, por que não podemos fazer uma comédia sobre câncer?", disse Hunt.

"The Big C" começa com a personagem de Linney escondendo seu diagnóstico terminal de todos em sua família, incluindo o marido, Paul (Oliver Platt).

Mas ela passa a fazer mudanças em sua vida suburbana organizada, como fazer "cambalhotas" no corredor da escola, queimar aquele sofá sensato que odiava e construir a piscina que sempre quis no quintal.

O seriado também tem Cynthia Nixon, Liam Neeson e Gabourey Sidibe, estrela de "Preciosa".

Os produtores pensam em ambientar cada uma das seis temporadas que esperam ter na televisão em estações diferentes do ano (primavera, verão, outono, inverno) e preveem cobrir 18 meses da vida de Cathy. Dizem que, se for preciso, não se furtarão de tratar da morte.

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