TV britânica é criticada por exibir suicídio assistido

A TV britânica Sky Television foi criticada na quarta-feira pelos planos de exibir os últimos momentos de um homem que tem uma doença terminal e escolheu cometer suicídio. O filme sobre Craig Ewert, que morreu aos 59 anos em 2006, faz parte do documentário "O Direito de Morrer", do diretor canadense John Zaritsky. É a primeira vez que a TV britânica mostra alguém cometendo suicídio assistido. "Se eu não fizer isso, minha escolha é, basicamente, sofrer, causar sofrimento à minha família e depois morrer", diz Ewert no filme, que teve alguns trechos exibidos pela Sky News. Com a mulher, Mary, ao lado, Ewert, parcialmente paralisado por uma doença motora, aparece na clínica de suicídio assistido Dignitas, em Zurique, Suíça, bebendo uma mistura de sedativos e desligando os próprios aparelhos. Manifestantes antieutanásia disseram que a exibição do filme é "um voierismo" irresponsável que pode criar uma falsa impressão de aumento da demanda por suicídio assistido na Grã-Bretanha. "Isso somente vai intensificar a pressão, real ou imaginária, sentida por essas pessoas, que consideram tirar suas vidas por medo de serem um estorvo para as pessoas que amam, para quem as cuida ou para a sociedade", disse o grupo Care Not Killing, uma aliança que reúne 50 organizações contra a eutanásia. O suicídio assistido é permitido na Suíça desde os anos 1940, caso seja feito por um não-médico que não tenha nenhum interesse na morte da pessoa. As clínicas usam drogas letais prescritas por médicos. Perguntado no parlamento sobre a exibição do filme, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse que ele aborda "questões muito difíceis". "Acredito que é necessário garantir que nunca haja um caso no país em que uma pessoa doente ou velha se sinta pressionada a concordar com a morte assistida", disse. Mas, escrevendo no jornal Independent, a viúva de Ewert disse que seu marido queria que sua história fosse mostrada para ajudar a tranquilizar as pessoas que têm medo da morte. "Ele queria tirar o véu de cima desta questão, para que as pessoas pudessem ver quão confortavelmente alguém poderia morrer. Alguém que, se não tivesse a opção do suicídio assistido, talvez tivesse uma morte muito dolorosa". De acordo com números divulgados no mês passado, entre 2001 e 2004, 91 por cento das pessoas que morreram na Dignitas eram estrangeiros, a maioria da Alemanha, França e Grã-Bretanha.

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