Trilogia do ouro, muito ouro

Cigana, marroquina e indiana: Eliane Giardini diz que Glória Perez lhe dá papéis sob medida

Etienne Jacintho, RIO, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2009 | 21h55

Em Caminho das Índias, novela das 9, de Glória Perez, Indira, personagem de Eliane Giardini, fez greve de fome porque seu filho Raj (Rodrigo Lombardi) não quer se casar com uma indiana. Em breve, a mãe zelosa fará novo jejum, desta vez, pelo filho caçula, Ravi (Caio Blat), que se apaixonará também por uma brasileira. Esse tipo de chantagem emocional materna, porém, não é novidade para Eliane Giardini que, na pele de Lola, a cigana de Explode Coração (1995), sofreu com o romance da filha Dara (Teresa Seiblitz) com o não-cigano Júlio Falcão (Edson Celulari). No meio do caminho, a atriz ganhou de Glória Perez outro papel recheado de lenços e ouro: a ?espetaculosa? Nazira, de O Clone (2001). "É minha trilogia com Glória Perez", diz Eliane, que geralmente arrasa nas novelas da autora. Vale lembrar que em América (2005), ninguém queria saber da Sol (Deborah Secco) e de Tião (Murilo Benício). O povo torcia mesmo era para a exuberante viúva Neuta se dar bem com o bonitão Dinho (Murilo Rosa). ALTA COSTURAEliane elegantemente nega que roube a cena nas novelas de Glória. "Olha a situação em que você me coloca, menina!", fala. Mas admite que a autora conhece bem a capacidade dela como atriz. "Brinco com Glória que estamos fazendo alta costura, pois ela faz personagens sob medida para mim."Para a atriz, trabalhar com Glória é uma "riqueza", que vai muito além do figurino. "Ela estuda um assunto, uma cultura, e a gente tem a oportunidade de mostrar isso." Em Caminho das Índias, o que mais chama a atenção da atriz é a forma com que Glória Perez vai abordar as diferenças culturais entre o Ocidente e o Oriente. "Ela fez a novela como um espelho. Os personagens e as famílias têm correspondentes no Oriente e no Ocidente", explica. "Acontece uma mesma situação no Brasil e na Índia e você vê como ela se desenvolve conforme crenças e fundamentos diferentes."Com Indira, Eliane se orientalizou. "A cultura oriental tem muito para nos dar, mas tenho até medo, porque a globalização dá uma nivelada em tudo." INDIANA ENGENHOSAComo quase todos os personagens de Glória Perez têm uma pitada de humor, com Indira não é diferente. "As mulheres indianas são engenhosas demais! Na cultura indiana, patriarcal, as mulheres são submissas, mas elas vão desenvolvendo um certo jeitinho." A atriz conta que isso é notório. "Eles são os inventores do xadrez, veja bem. Então, o que eles fazem é ver como podem obedecer aquela lei, sem obedecer."Uma das cenas mais divertidas de Indira até agora foi uma em que ela nega ter batido o carro em uma árvore. Ela diz ao marido que a árvore precisa ser cortada porque cresceu demais e bateu no carro dela. "É a inteligência a favor das resoluções", brinca. "E é assim com as mulheres, principalmente, porque elas são amarradas." O único problema de Indira é dobrar a sogra Laksmi, papel de Laura Cardoso, que deve render boas risadas na trama de Globo. "Uma bate daqui, outra bate de lá," diverte-se a atriz.

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