Justin Lubin/NBC
Justin Lubin/NBC

Três mulheres comuns e desesperadas por dinheiro fazem rir e chorar na 2.ª temporada de 'Good Girls'

A série, exibida no Brasil pela Netflix, mistura drama, ação e comédia

Mariane Morisawa, Especial para O Estado de S. Paulo

03 de junho de 2019 | 03h00

Uma das maiores dúvidas da vida moderna é o que assistir na Netflix. Abrir a plataforma de streaming é deparar com milhares de escolhas sobre as quais não se tem referência nenhuma. Pois estamos aqui para salvar você, caro/a leitor/a, e a nossa sugestão de hoje é Good Girls, série produzida nos Estados Unidos pela NBC e exibida no Brasil na Netflix, que mistura drama, ação e comédia. A segunda temporada já está no ar – a primeira teve dez episódios, e a segunda, 13. A terceira já está garantida.

E o que Good Girls tem de especial? De cara, três personagens principais femininas que não são as boas garotas que o nome sugere. “O título é irônico”, esclarece a criadora e showrunner Jenna Bans. “É algo que meus pais no Minnesota costumavam me dizer muito quando eu estava brava com alguma injustiça na escola: ‘Seja uma boa garota’. O que significa: ‘Não se estresse com isso’.”

Para quem não viu nada da série ainda, Beth (Christina Hendricks, a Joan de Mad Men) é a dona de casa aparentemente perfeita: sempre impecavelmente maquiada e vestida, tem quatro filhos, sua casa é um brinco, e ela ainda cozinha e organiza festas e afins. Sua irmã caçula, Annie (Mae Whitman), é irresponsável e desencanada, foi mãe na adolescência e tem uma adolescente agora em casa. Ruby (Retta), melhor amiga das duas, é uma garçonete e vive um casamento feliz com Stan (Reno Wilson).

As três estão cansadas de lutar pela sobrevivência e enfrentar obstáculos por serem mulheres. Ruby, por exemplo, não consegue pagar o remédio caríssimo que sua filha necessita para viver, Annie é caixa de supermercado e vive com as contas atrasadas, e Beth, que tinha a situação mais confortável, vê seu marido, Dean (Matthew Lillard), perder quase tudo. Elas resolvem roubar o supermercado onde Annie trabalha. “As personagens dizem a si mesmas que estão fazendo isso por uma boa causa porque é o que precisam para se convencer a agir de maneira ilegal”, afirmou Bans. “Mas nós não fazemos um julgamento moral, deixamos isso para o público decidir.” Para Mae Whitman, a graça é justamente esta. “É interessante como a série discute sistemas de justificação e moral, o que é o bem e o que é o mal, até onde cada um iria para proteger sua família”, disse.

O roubo ao supermercado é só o começo, porque as coisas se complicam de uma maneira inesperada para as três personagens, resultando em atitudes cada vez mais desesperadas. “Essas mulheres se sentem encurraladas e são forçadas a retomar seu poder, às vezes de maneira chocante”, explicou Bans. Algo na linha Thelma & Louise, mas com mais comédia misturada ao desespero – as atrizes gostam de improvisar e são encorajadas a fazer isso. Não convém entrar em detalhes para não estragar as surpresas, mas nas duas temporadas Good Girls consegue manter o interesse do espectador, que fica esperando em que outra confusão elas vão se meter.

Mas o grande trunfo da série são mesmo as três personagens, algo que Jenna Bans percebeu logo que os primeiros episódios começaram a ser editados. “Elas parecem aqueles amigos do tempo de escola que, mesmo que fiquem 20 anos sem encontrar, parece que nunca se separaram.” Whitman disse que entendeu tudo imediatamente. “Assim que li o piloto, eu senti que conhecia e entendia aquelas pessoas. Eu compreendi sua história em comum, a química já existia. Não era necessário ficar explicando para o público.” Christina Hendricks, que tem a experiência de ler alguns dos melhores roteiros já produzidos para a televisão em Mad Men, sentiu que aqui eles eram genuínos e naturais. “As palavras fluem da boca. As pessoas parecem reais, as palavras são reais, as emoções são reais”, afirma. “Mas o tom é difícil. Vamos de coisas muito, muito sérias a momentos engraçados, completamente bizarros. Mas as personagens são engraçadas e estranhas também.”

E é um alívio poder ver personagens femininas fazendo coisas más, erradas, que vão causar confusão certamente, mas sem precisar usar um figurino especial para isso, ou seja, sendo gente normal. Beth, por exemplo, descobre que gosta do crime. “Ela se sente bem, curte a adrenalina, o poder”, disse Hendricks. Para Retta, é um sonho. “Sempre fazia pessoas que ajudavam os outros, era só o que me ofereciam. E aqui eu posso ser uma pessoa. Uma pessoa com amor em sua vida, que, a não ser os problemas de ter uma filha doente, é feliz”, disse a atriz. “Que bom que temos uma criadora com uma visão mais ampla de que gente é gente, não importa que tamanho ou cor tenha, todo o mundo vive coisas.”

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