Tragédia ao gosto das 6

Haja dor: mesmo light, nova versão de 'Ciranda de Pedra' reserva drama de sobra

Alline Dauroiz, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2008 | 22h15

Novela das 6 tem rótulo de "água-com-açúcar", por ser mais leve, romântica e, quase sempre, de época. Assim, causou estranheza quando o autor Alcides Nogueira anunciou a nova versão de Ciranda de Pedra - que não é um remake da trama de 1981 -, inspirada no romance homônimo de Lygia Fagundes Telles. Levada ao pé da letra, a história do livro poderia até esbarrar no controle da classificação indicativa, já que a protagonista (Laura) morre por eutanásia praticada pelo amante (Daniel), que depois se mata. Além de haver uma personagem gay (Letícia) e outro que sofre de impotência sexual (Conrado). Veja também: Mãe aos 15 Versão se concentra em 1958O público cativo e mais conservador das 18 horas, no entanto, não tem com o que se preocupar. Polêmicas foram eliminadas da Ciranda de Pedra que estréia nesta segunda-feira, 5. "Não vai ter suicídio, lesbianismo, nem eutanásia", avisa Nogueira, autor da adaptação. "Conversei muito com Lygia e disse: 'Precisamos encontrar saída para contar essa história'."Será, então, mais uma trama açucarada? A diretora, Denise Saraceni, garante que não. "Claro que há um grande romance, além das histórias de amor no núcleo jovem, mas a novela é uma tragédia", diz.De acordo com Nogueira, a nova Ciranda tratará, com elegância, das pequenas tragédias e do cotidiano.DramalhãoAmbientado na São Paulo de 1958, o folhetim trará Ana Paula Arósio em seu nono papel de época na TV. A bela será Laura Prado, dama da sociedade que se casou com o autoritário advogado Natércio (Daniel Dantas), de tradicionalíssima família paulistana. Com ele, teve duas filhas: Otávia (Ariela Massoti) e Bruna (Ana Sophia Folch).Laura, porém, é atormentada por um distúrbio que a faz oscilar da eufórica alegria à profunda depressão e passa a sofrer com a indiferença do marido, que não sabe lidar com seus problemas emocionais. É aí que entra Marcello Antony, como o neurologista Daniel. Contratado para cuidar de Laura, o médico se apaixona por ela e, desse amor proibido, nasce Virgínia (Tammy Di Calafiori).Criada como filha de Natércio, a menina é rejeitada pelo suposto pai - que sabe de tudo - e pelas irmãs, que morrem de ciúmes da boa relação dela com a mãe. Já adolescente, Virgínia sofrerá ao perder o amor de Conrado (Max Fercondini) para a irmã Otávia e, depois, por gostar do namorado da amiga.Um dia, Laura abandona o marido, deixa o Jardim Europa e muda-se para a casa de Daniel, um sobradinho na Vila Mariana. Mas o dramalhão não pára por aí. Laura morre por causa da depressão e Virgínia é mandada para um colégio interno."A história mescla o movimento de uma ciranda e a imobilidade da pedra. As pessoas estão procurando seus destinos, mas atadas aos seus passados", explica o autor.Felizmente, no meio dessa tragédia toda haverá um refresco: o núcleo da Vila Mariana, que promete comédia, jovens de brilhantina nos cabelos e um ar James Jean. Além, é claro, das saias godê e das mocinhas atrás de um amor "rebelde".

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