Des Willie/AMC Networks via AP
Des Willie/AMC Networks via AP

Tim Roth revela dois lados em novos projetos para a TV

Papéis do ator nas séries ‘Rillington Place’ e ‘Tin Star’ ampliam sua coleção de personagens desajustados

Frazier Moore AP / NOVA YORK , O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2017 | 05h00

Tim Roth só se mete em encrenca. Desde sua primeira aparição nas telas, em Made in Britain, de 1982, como um skinhead que tem uma suástica tatuada na testa, ou em Pulp Fiction, de 1994, como trapaceiro que assalta um restaurante com a namorada, Roth transformou em arte a interpretação de vilões, capangas e malucos – ou, pelo menos, de alguém que está vivendo um péssimo dia. Agora, os fãs de Roth podem se deleitar com o ator em dois novos papéis que ampliam sua coleção de desajustados. 

Em Tin Star, thriller de mistério da Amazon Prime, Roth vive, ao lado de Christina Hendricks (Mad Men), o chefe de polícia de uma pequena cidade, com um temível alter ego.

Já na minissérie de três episódios Rillington Place, que estreou na quinta, 5, no Sundance Now, serviço de streaming da AMC Networks, Roth se transforma em um psicopata de fala mansa, cujos modos tímidos escondem seu hábito de matar jovens mulheres em um bairro pobre de Londres.

Rillington Place é feita de tensão e medo, com Roth praticamente irreconhecível como John Christie, serial killer que existiu de verdade e ficou conhecido pela carnificina que promoveu nos anos 40 e 50, sob o nariz de todo mundo, incluindo de sua mulher, que sofria com seus abusos (retratada de maneira magnífica por Samantha Morton). “Eles moravam em uma região muito pobre de Londres, onde ele era o melhor amigo da vizinhança”, diz Roth. “E, então, ele começou a matar”. Christie escondia os corpos atrás das paredes e debaixo das tábuas do assoalho. “O negócio é que ele ficou sem espaço. Se não fosse por isso, teria matado muito mais. O problema era a ocultação dos cadáveres, não o assassinato em si.” Roth solta uma gargalhada, como quem diz: o cara é doente ou não?

Christie chegou a assassinar uma jovem atraente que morava no andar de cima, e também seu bebê. Depois, incriminou o marido pelas atrocidades.

“Foi muito difícil fazer esse papel”, diz Roth, cuja voz como Christie raramente passa de um murmúrio. “Não dava para deixá-lo menos apavorante. ‘Você gostaria de uma xícara de chá?’ Só isso já era assustador.” É um bom exemplo do método “menos é mais” da atuação desse britânico de 56 anos que, dentro e fora das telas, está sempre crispado de energia. “Gosto muito da fisicalidade dos personagens e descobri que esse papel também era muito físico.”

“Levei muito tempo para recuperar meu pescoço”, disse ele, indicando a dor de imitar a velha corcunda de Christie.

Roth apresenta uma atuação bem diferente em Tin Star. Situada nas Montanhas Rochosas canadenses, a série conta a história de um ex-detetive britânico que se muda com a família para a pequena cidade de Little Big Bear, em busca de uma vida mais tranquila, em que o trabalho do chefe de polícia não vá muito além das multas de estacionamento. Mas Little Big Bear está prestes a entrar em uma nova fase, com uma refinaria de petróleo de última geração, dirigida por uma executiva de fala doce (Christina Hendricks). “Mas, aí, acontece uma coisa terrível”, Roth provoca. “E a história se transforma em um thriller de vingança.”

Enquanto isso, o chefe de polícia enfrenta os próprios demônios. “Ele chega à cidade como um alcoólatra lutando contra a bebida”, diz Roth. “Ele bebe e apaga e não se lembra de nada do que faz quando está bebendo. Então, é uma história meio ‘Jekyll e Hyde’. Ao longo dos dez episódios, você vê um tomando o controle do outro. Foi muito divertido! Eu tinha que ter um pequeno manual de regras, um mapinha na cabeça, dizendo onde eu estava e quem eu era a cada momento.”

Tin Star é a primeira série de Roth desde Lie to Me, um drama criminal da Fox, exibido de 2009 a 2011, no qual ele interpretou um “especialista em dissimulação” que podia saber quando os suspeitos estavam mentindo.

Roth se sentiu atraído por Tin Star desde o roteiro do episódio piloto, que ele achou “tumultuado e devastador”. “Fiquei vidrado e, se eu fiquei desse jeito, acho que a audiência vai ficar também. Aí, eu cheguei ao final do script e pensei: ‘(Palavrão)! Isso é ousado!’” (Ousado, de fato. Mas não vamos dar spoilers aqui.)

Embora Roth reconheça que interpretou muitos personagens malucos e perversos, ele chegou a fazer outras coisas no meio do caminho. “Vou lembrar um mocinho que eu fiz, em um filme que você provavelmente não viu: um filminho fofo chamado Quebrado (2012)”, ele diz. “Mas, na maioria das vezes, o mocinho não é o personagem mais interessante. Ou, para fazer dele um cara interessante, você tem que encontrar seu lado sombrio. Você tem que buscar o equilíbrio, sempre.”

“Por outro lado, se você estiver interpretando alguém como John Christie, você tem que encontrar alguma coisa boa, caso contrário, vira um personagem de uma nota só.” Roth vira um pouco os olhos. “Foi muito difícil fazer esse cara!” / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU 

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