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Thriller inteligente, 'Você' aborda problemas das mídias sociais

Em entrevista, a criadora da série Sera Gamble fala do que muda ao saber que será vista por 40 milhões de pessoas na Netflix

Entrevista com

Sera Gamble

Eleanor Stanford, The New York Times

02 de fevereiro de 2019 | 15h39

O primeiro lançamento da Netflix para 2019 não é propriamente uma novidade. A primeira temporada de Você, um thriller inteligente que fala dos problemas da mídia social e de um charmoso assediador que fará tudo para conquistar uma garota, foi ao ar em setembro pelo canal Lifetime. Entretanto, apesar de terminar o ano na lista dos 10 mais da crítica, a série teve um impacto mínimo num congestionado panorama de TV.

Agora, no meio da temporada de férias, a série chegou à Netflix e, de repente, parece que a internet só falava nela. A segunda temporada de Você é apresentada como um programa original Netflix e deverá ser vista por 40 milhões de pessoas. 

“O acordo entre o streaming e o cabo estava acertado há muito”, disse Sera Gamble, que criou a série com Greg Berlanti. “Esperávamos um aumento de público, mas nada parecido com o que estamos vendo.”

Adaptada do romance de Caroline Kneps, a série casa bem com uma compulsão da Netflix , a de manter a imprevisibilidade enquanto um pesadelo central se desenvolve. Beck (Elizabeth Lail) tem um novo e charmoso namorado, Joe (Penn Badgley), que se revela um serial killer. Joe acredita que está ajudando Beck a chegar ao sucesso, mesmo tendo para isso que assassinar todos em volta dela. Não surpreende que Gamble seja tão hábil em manipular medos milenials, considerando-se que ela é a criadora de The Magicians, uma sombria série sobre estudantes de uma universidade de magia (a quarta temporada da série começou a ser exibida no Syfy).

Em conversa pelo telefone, na semana passada, Gamble falou sobre o que significa para um roteirista atrair 40 milhões de espectadores e o que se pode esperar da quarta temporada de The Magicians

Como você se sente sobre o fato de a Netflix contar como espectador qualquer um que apenas tenha assistido a 70% de um único episódio? Isso muda seu modo de ver o número previsto de espectadores?

Não. Para ser honesta, não me aprofundei muito nisso. Ouvi o número e adorei. Como roteirista e criadora, minha prioridade é fazer um grande programa e ficar preocupada com números não ajuda. 

Agora que você está na Netflix, alguma coisa mudou em sua abordagem da segunda temporada de Você?

Algumas coisas. Temos um pouco mais de flexibilidade em relação ao tempo, uma vez que não há anúncios, e também podemos dizer mais palavrões. Para mim, que praguejo muito, é uma grande coisa. A Netflix me deixa falar quantos nomes feios quiser (risos).

The Magicians não parece correr atrás de uma audiência seleta. Como você vê seu público?

A tecnologia está deixando o mundo menor e isso é uma das melhores coisas que ela faz. Existe uma grande demanda por histórias que reflitam o que é importante para esse público expandido, o que abre imensas oportunidades. Há inúmeras histórias além daquelas centralizadas em cisgêneros. Assistimos a milhares de interações desse tipo, mas estou meio cansada delas. Ando ansiosa por novos pontos de vista e querendo personagens que vão além. Não acredito que um programa que tenha em vista um público de mulheres jovens deva ser menos ambicioso que um voltado para o chamado público seleto. É curioso que Você tenha um arquétipo no centro da história: Joe reflete a imagem do herói romântico clássico. No caso dele, porém, sua imagem foi criada de modo a poder ser arrasada. Isso é engraçado.

Como você se sente ao saber que muitas mulheres que viram Você disseram que a história lembra muito a sensação que elas próprias experimentam ao marcar encontros com homens? 

Por um lado, é meio assustador saber que tanta gente relaciona a série a cenários apavorantes de encontros modernos. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

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