TV Globo/ Divulgação
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Thiago Lacerda fala de Lúcio, galã contido que vive em 'A Vida da Gente'

Ator comenta presença discreta de seu personagem e filme que fará com Jayme Monjardim

PATRÍCIA VILLALBA / , O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2011 | 03h08

RIO - Discreto, emoções contidas e pequenos gestos, o neurocirurgião Lúcio de A Vida da Gente, novela das 6 da Globo, é um tipo diferente na galeria de homenzarrões que Thiago Lacerda tem interpretado nos seus 15 anos de carreira. "Eu gosto muito dos personagens épicos porque adoro história, biografias", diz ele, que já foi de Calígula a Jesus Cristo. "O Lúcio é o oposto de tudo isso. É um personagem sem libido. Não tem nada a ver com sexo, é tirar hormônio. É um cara que está ali, que entra sem ser notado."

 

A autora Lícia Manzo tem mantido o personagem basicamente à beira da cama da protagonista Ana (Fernanda Vasconcellos), mas ninguém duvida que há um algo mais para ele na segunda fase da novela, que começa nesta semana. Fora do coma, quatro anos depois, a mocinha vai se casar com o médico e, a partir daí, conta-se a história. "O envolvimento deles será gradual, depois que ela acordar. Não tem nada a ver com o Fale com Ela (de Pedro Almodóvar). Senão, ele seria um psicopata - imagine, um médico que se envolve com uma paciente em coma...", divaga o ator que, nesta entrevista ao Estado, após um longo dia de gravação, fala com entusiasmo da experiência de "sumir" em cena e da expectativa de voltar ao épico. Em março, começam as filmagens do longa-metragem O Tempo e o Vento, de Jayme Monjardim, no qual ele será o galante Capitão Rodrigo.

 

O autor Manoel Carlos já me disse que adora escrever para personagens médicos. E que tal interpretar um médico, sente essa aura especial?

 

É, e eu sempre ficava imaginando quando faria um médico do Manoel Carlos... Concordo com ele, estou adorando. Os médicos são personagens dramáticos, um universo muito legal de embarcar. O Lúcio é um CDF, um cara mais introspectivo. É uma presença discreta.

 

Senão seria um doutor à Grey's Anatomy...

 

(risos) É, o cara do Grey's Anatomy é um galã. Depois, quando o Lúcio se interessar pela Ana, talvez ele ganhe alguma autoestima. Tem muita coisa para acontecer ainda.

 

Longe da discrição, você vai ser o Capitão Rodrigo de O Tempo e o Vento no cinema. Como vai ser?

 

Ele me convidou há anos, logo que comprou os direitos. É irrecusável, e desde então eu me preparo pensando que chegará a hora de filmar. E está chegando, começamos em março.

 

Que já foi do Tarcísio Meira. Reviu a minissérie?

 

Sim, lá atrás. Mas não vi muito não. Por coincidência, eu fazia novela com o Tarcísio (Páginas da Vida, 2006), a gente era pai e filho. Ele foi ótimo, e contou algumas curiosidades. E eu pedi ao Jayme para fazer uma homenagem. O Tarcísio me contou que o Capitão tinha de tocar violão, e que ele era frustrado por não saber tocar. Daí, pedi pra tocar em cena, estou estudando violão pra isso.

 

No ano passado, o diretor Gabriel Vilella, de Calígula, disse que não há no País nenhum ator com mais capacidade física e inteligência para viver um Minotauro em cena. Por que será que você é tão associado aos épicos?

 

Acho que tem a ver com minha natureza, tenho um prazer por História, aquela da escola. Mas talvez eu tenha uma natureza épica, e tenho um histórico de personagens de época, os mocinhos, figuras nobres, íntegras. O Gabriel não me chamou à toa. De repente, tem a ver também com o porte físico, algo apolíneo. O Calígula é um personagem que precisa ter porte físico para fazer.

 

Legal você dizer isso, porque tem ator que não gosta dessa coisa de physique du rôle.

 

Ah, bobagem... Mas isso não quer dizer que eu não possa fazer um feio ou, sei lá, um simples. Mas realmente gosto muito dos heróis, e não tenho nenhum problema com isso.

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