Jace Downs/AMC
Jace Downs/AMC

‘The Walking Dead’ ganha fôlego com boas críticas

Na 10º temporada, que estreia neste domingo, 23, série encontra novos caminhos para personagens antigos

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

22 de fevereiro de 2020 | 07h00

SENOIA, GEÓRGIA - É raro uma série de TV, mesmo as maiores e melhores da história, chegar à 10.ª temporada ainda agradando a fãs, fiéis e novatos – mas The Walking Dead, que volta ao ar na Fox e no streaming neste domingo, 23, retomou a forma depois de anos e anos acidentados, com queda na audiência e repercussão crítica desfavorável. A série parece agora, porém, novamente ter encontrado uma linha de ação interessante.

O que estreia agora é a segunda parte da 10.ª temporada, a última de Dana Gurira como a personagem Michonne, uma das favoritas dos fãs desde o terceiro ano da série. A produtora e roteirista Angela Kang vai completar seu segundo ano seguido como showrunner da série, e outros personagens queridos do público se envolvem em novos desdobramentos que caminham para o fim da “era dos Sussurradores”.

Ainda em 2019, o Estado visitou o set de The Walking Dead na cidade de Senoia, região de Atlanta, Geórgia, e falou com atores e a showrunner da série, Angela Kang, já em seu segundo ano à frente da produção. 

“Estamos emocionados que os fãs continuaram nos acompanhando durante todo esse tempo, e seguimos no empenho de fazer coisas novas acontecerem e surpreender as audiências”, disse Kang. Animada com o fato de a série continuar crescendo (dois spin offs estão no ar na TV), Kang diz que a série busca novos estilos de luta e novos problemas ambientais e econômicos para os personagens, que já há tanto tempo lutam para sobreviver num mundo tomado por zumbis.

“As dificuldades de encontrar novos caminhos agora são reais”, admite. “Mas, como sempre, temos novos escritores, há continuamente um ciclo de novas ideias, testando os personagens em diferentes situações.”

Uma transformação marcante nas últimas temporadas é que os diversos “lados”, contrariando uma formulação simples de bem contra o mal, são liderados por mulheres. Questionada se o fato estaria relacionado ao movimento MeToo, a showrunner afirma que se trata mais de um desenvolvimento natural dos personagens ao longo da série. “Acho que os quadrinhos de Robert Kirkman, o nosso material de partida, sempre estiveram à frente do seu tempo e foram muitos diversos, desde o começo”, afirmou Kang, citando alguns dos personagens de minorias e mulheres que sempre foram preferidos dos fãs.

Para ela, o fato de os Estados Unidos serem um país muito “internacional” apenas auxilia no processo de incluir pessoas diversas no próprio staff da série, o que enriquece a experiência de contar e compartilhar as histórias.

“Por muitos anos, houve problemas no fluxo de trabalho que impossibilitaram a ascensão de mulheres e pessoas não brancas aos escalões mais altos da indústria, mas já há alguns anos as pessoas estão trabalhando nessas questões para que mais gente como eu tenha a experiência suficiente para ocupar esses postos”, explicou ainda.

Uma cena acompanhada pela reportagem foi apresentada justamente no último episódio exibido da décima temporada, ainda em novembro de 2019. 

Uma breve recapitulação. Nesse episódio, Dante (Javier Cardenas), um dos novos personagens introduzidos nesta temporada, é revelado como um infiltrado dos Sussurradores em Alexandria, e Rosita (Christian Serratos, a cada dia uma das personagens mais queridas da série), consegue detê-lo, e ao mesmo tempo precisa matar um reanimado Siddiq, seu interesse amoroso. Mais tarde, ela sai da cidade para descontar sua raiva em um pequeno grupo de zumbis (esta cena foi a que a reportagem acompanhou, com a direção de um carismático Greg Nicotero), e recebe o apoio de Eugene (Josh McDermitt), hábil no combate, mas um desastre manejando as palavras.

Michonne, por sua vez, viaja para outra comunidade, Oceanside, e depois de encontrar um novo personagem, Virgil, concorda em escoltá-lo até sua casa em troca de armas para acabar com a horda de Alpha (Samantha Morton, que interpreta a líder dos Sussurradores).

Já Daryl (Norman Reedus) e Carol (Melissa McBride) e um grupo de outros personagens saem em busca da horda a partir de uma informação plantada, mas encontram o suposto local vazio e avistam Alpha, que os conduz para uma caverna escura onde os zumbis estão de fato. Vale lembrar que Alpha assassinou o filho de Carol sem piedade, e Darryl é amigo da personagem de McBride desde os primórdios da série.

“A história de Carol e Daryl é com certeza um dos pontos fundamentais da série”, disse Kang. “Uma grande parte dessa nossa história, muito graças ao quadrinho de Robert, é encontrar esperança num cenário de desolação. Uma coisa que lá atrás começou com apenas um homem acordando e encontrando um mundo em colapso e se transforma, ao longo das temporadas, em uma história de reconstrução. Para mim, é bonito imaginar como os seres humanos conseguem reerguer o conceito de civilização mesmo num cenário de caos”, conclui.

Na primeira cena da nova parte da temporada, já liberada pelo canal, Alpha se garante de que o grupo está preso na caverna e ordena a seus lacaios que se certifiquem de que ninguém saia lá de dentro com vida. Agora, é só esperar mais um pouquinho para saber como eles vão sair de mais essa.

Entrevista: Norman Reedus, ator que interpreta Daryl

Qual é a do Daryl nesta temporada?

É um ano muito complicado, porque são muitas linhas de histórias se cruzando, e as pessoas não confiam umas nas outras. O relacionamento entre ele e Carol é cheio de fricção, e ele limpa muitas das confusões que ela deixa pelo caminho. Há histórias se desenvolvendo com Lydia, Negan, Alpha e Beta (desde aquela vez que eu dei uma coça nele, risos). Então é meio que todo mundo dando facada nas costas dos outros.

Depois de 10 anos fazendo o personagem, ele ainda o surpreende de alguma forma?

O tempo todo. Se eu vivo o Daryl e os diretores e escritores me colocam em uma situação diferente, eu respondo de maneira diversa, tento encontrar novas soluções, de acordo com as circunstâncias. De modo geral, ele ainda é o mesmo cara. Mas as situações e as interações com as pessoas são muito diferentes agora.

E como foi que você evoluiu ao longo desta década?

Muito. Eu passei dos filmes indies para o estrelato real. A minha vida mudou drasticamente e foi estranho. Mas agora me acostumei melhor. Eu ainda vou à padaria e as pessoas me seguem, mas estou lidando melhor com isso. Mas uma coisa curiosa é que existem essas dezenas de pessoas que viveram personagens no passado e saíram da série e que viraram meus amigos. Eu lembro muito do Jon Bernthal (que fez o personagem Shane nas primeiras temporadas), ligo para ele de vez em quando. Ontem, eu falei com o Andrew (Lincoln, que viveu Rick, protagonista da série por oito temporadas). Ele estava filmando na Austrália e me disse que tinha esquecido como atuar. Eu respondi: “Cara, você nunca soube atuar” (risos).

O repórter viajou a convite da Fox

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