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'The Office' sempre foi popular, mas a Netflix fez da série um fenômeno

Série deixará a Netflix em janeiro de 2021 e estará disponível na plataforma de streaming da NBC

Sonia Rao, The Washington Post

27 de junho de 2019 | 19h18

A Netflix criou uma onda de pânico ao anunciar terça-feira, 25, à noite que The Office iria em 2021 para o serviço de streaming da NBC conforme planejado. “Não, Deus, não, por favor!”, gritou o persoangem Michael Scott num GIF amplamente compartilhado. Pam Beesly, outra personagem, derramou rios de lágrimas.

Adaptada de uma série do mesmo nome da BBC, The Office recebeu 42 indicações para o Emmy em suas nove temporadas e ganhou 5 vezes o troféu. O elenco também levou o Screen Actors Guild Award pelo melhor conjunto de comédia por duas vezes consecutivas. A própria sitcom ganhou um Peabody Award.

Parece que a maioria concorda que The Office é uma boa série. Grande, mesmo. Mas se pesquisarmos nas redes sociais das gerações mais jovens, o programa pode chegar a ser considerado a melhor série de todos os tempos. Muitos da Geração Y (nascidos entre a década de 1980 e 2000)  e da Geração Z (nascidos entre meados dos anos 1990 e início dos 2010) citam-na no Instagram, Twitter e até em aplicativos de namoro, onde os rapazes às vezes se definem como “um Jim procurando sua Pam”. Alguns da Y e da Z estavam ainda no primeiro grau quando a sitcom estreou, em 2005.

The Office não foi sempre predestinada a se tornar o gigante da cultura pop que é hoje. A caracterização da sitcom de cult favorite usada terça-feira pela revista Hollywood Reporter poderia se aplicar a 2005, quando a série ainda corria o risco de ser cancelada. Foi só quando o iTunes veio em seu socorro que o programa ganhou suficiente audiência para uma terceira temporada. John Krasinski se lembra de que em 2012 pessoas com fones de ouvido o paravam na rua para mostrar que ele estava em seu iPod.

Hoje, elas podem dizer o mesmo do aplicativo da Netflix em seus iPhones. Com dados da Nielsen, The Wall Street Journal informou em abril que The Office foi o programa mais visto da Netflix num período de 12 meses encerrado no último verão. A série captou quase 3% do tempo total dos usuários, o que significa que eles gastaram 45,8 bilhões de minutos divertindo-se com a energia caótica da Dunder Mifflin. Friends, série da NBC, captou 31,8 bilhões de minutos de atenção, e custou à Netflix US$ 100 milhões para manter até 2019.

A Netflix de certo modo deu a The Office uma terceira vida (a segunda foi pela distribuição tradicional pelos sindicatos, que começou em 2009). Gerações de cord-cutters (que cancelaram assinaturas de TV a cabo) e cord-nevers (que nunca assinaram) podem assistir, isoladamente ou em maratona, quantos e quais episódios quiserem. Podem deixar no fundo enquanto jantam. O programa fica em seus subconscientes.

Faz todo sentido, portanto, que Billie Eilish, a mais célebre pop star gótica da Geração Z, abrisse seus shows com a música tema de The Office. Ela também usou o áudio da Netflix do capítulo Threat Level Midnight, da sétima temporada, no qual os funcionários da Dunder Mifflin assistem a um filme amador que fizeram, em seu álbum de estreia e campeão nas paradas When We All Fall Asleep,Where Do We Go?  

“Não, Billie, não fiz essa dança desde que minha mulher morreu”, diz Michael Scott como seu alter ego no início do filme My Strange Addiction. Eilish acabou tendo de pedir permissão aos membros do elenco que aparecem na cena para usar o áudio. A superfã declarada afirma que assistiu a todas as nove temporadas de The Office por 12 vezes, e considera a série uma forma de terapia.

“Quando levanto, ponho The Office. Se estou fazendo um burrito, também ponho”, disse Eillish uma à revista Elle.

Não surpreende, pois, que a NBC oferecesse à Universal Television US$ 100 milhões por ano, por um período de cinco anos, para trazer de volta para casa a adorada sitcom. Na terça-feira, a Netflix tuitou: “Ficamos tristes porque a NBC decidiu pegar The Office de volta para sua própria plataforma de streaming – mas os assinantes da Netflix poderão ver a série de à vontade, sem anúncios, até janeiro de 2021”. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ   

 

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