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'The Deuce' volta para a segunda temporada com James Franco mantido no elenco

Mesmo após acusações de assédio sexual nas redes sociais, ator continuou na série da HBO

Pedro Rocha, Especial para o Estado

09 Setembro 2018 | 06h00

Em janeiro deste ano, após vencer o Globo de Ouro de melhor ator em filme de comédia por O Artista do Desastre, James Franco se viu no meio de uma controvérsia. O ator utilizou, na cerimônia, um boton de apoio à causa Time’s Up, em que mulheres protestam contra casos de assédio sexual e moral. No dia seguinte, cinco mulheres relataram nas redes sociais episódios de comportamento inapropriado do ator, que inclui uma denúncia de assédio da atriz Violet Paley, que disse ter sido forçada a praticar sexo oral em Franco. 

O ator, à época, se defendeu e disse ter sua própria versão das histórias. Paley, que fez a denúncia pelo Twitter, apagou a publicação. Meses após um silêncio midiático, ele agora está de volta na segunda temporada da série The Deuce, da HBO, que estreia neste domingo, às 22h.

Ao contrário do que aconteceu com outros acusados recentes de assédio, como Kevin Spacey e Jeffrey Tambor, demitidos das séries House of Cards e Transparent, respectivamente, o papel, ou melhor, os papéis de Franco em The Deuce foram mantidos. O ator vive gêmeos na produção, que retrata o crescimento da indústria pornográfica na violenta Nova York dos anos 70.

“Esperamos para ver se havia algo mais substancial, mas nenhuma denúncia foi à diante”, explicaram os criadores da série, David Simon e George Pelecanos, numa entrevista conjunta ao Estado. Para eles, é necessário ver o que está nos relatos e por trás das alegações. “Nós levamos isso a sério e tratamos o assunto com cuidado.”

A luta de mulheres contra a violência e para conseguir sucesso financeiro no mundo da prostituição e da pornografia é um dos assuntos da série. A atriz Maggie Gyllenhaal vive uma ex-garota de programa que se torna diretora de filmes adultos. Nesta segunda temporada, seu desafio é continuar no negócio. "No geral, é uma temporada de transição para todos os personagens”, afirma Pelecanos.

Na primeira temporada, algumas cenas de violência e misoginia chocaram os espectadores, como a morte da personagem Ruby (Pernell Walker). Para os criadores, as cenas, apesar de fortes, são fundamentais para entender a história. “É algo que realmente acontecia na época, cruel e com pessoas de verdade. Precisamos passar essa mensagem”, diz Pelecanos. “A misoginia era tão intensa, se as cenas não fossem chocantes, algo estaria muito errado.”

A presença das mulheres se dá também atrás das câmeras. Dos oito diretores da nova temporada, sete são mulheres. Segundo Simon, isso ajuda a contar as histórias das personagens femininas. “Com certeza. Tem muitas coisas que não sabemos, sobre a experiência de ser mulher”, acredita. “Mas além disso, elas foram escolhidas por serem ótimas diretoras.”

David Simon e George Pelecanos ainda produzem a série ao lado de Nina K. Noble e de James Franco. Esta já é a terceira parceria da dupla com a HBO, onde realizaram as séries The Wire e Treme.

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