Alex Carvalho/ TV Globo
Alex Carvalho/ TV Globo

Testemunha ocular e inconveniente

Em quadro do 'Fantástico', Bruno Mazzeo é um repórter que volta no tempo e alfineta personagens importantes

João Fernando, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2013 | 02h17

Encostado há mais de uma década, o diploma de jornalista de Bruno Mazzeo fará jus à sua existência a partir de hoje à noite, quando o humorista estrear o quadro O Baú do Baú do Fantástico, em que ele faz as vezes de repórter e entrevista figuras importantes da história, como Napoleão Bonaparte e o imperador Dom Pedro I.

"É a primeira vez em que estou 'usando' a minha profissão", conta Mazzeo. Na atração, ele volta no tempo em momentos cruciais da história da humanidade para relatar fatos importantes como o descobrimento do Brasil e a Santa Ceia. "É como se fosse uma reportagem de arquivo em uma época em que não existiam jornalistas. Mas são coisas que seriam tema de uma matéria se eles existissem. Tivemos essa licença poética", explica.

No quadro, Bruno será ele mesmo e surgirá em meio aos acontecimentos históricos, porém com um visual mais sóbrio do que em outras produções que para TV, como o Cilada, também exibido no Fantástico. "Também é a primeira vez em que eu vou só de terno, sem figurino", descreve.

Segundo ele, não haverá uma contextualização prévia de cada assunto. As reportagens vão ao ar como se os fatos estivessem acontecendo naquele instante. "É como Ernesto Paglia no Jornal Nacional. Se houvesse a explicação, viraria outra coisa", justifica. O repórter, entretanto, terá uma visão analítica do que estará mostrando. "Os episódios sobre a história do Brasil terão uma base crítica, pois eu (personagem) já sei o que deu errado. O Brasil é um País de erros."

Em momentos como a abolição da escravatura, o repórter vai tratar de questões relativas ao assunto. "Vamos falar que eles libertaram os escravos, mas não construíram casas nem deram escola para essas pessoas", adianta. Pedro Álvares Cabral tampouco escapará de alfinetadas. "O Cabral é igual qualquer político de hoje quando fala."

Apesar de ter os marcos da história vivos na cabeça, Mazzeo precisou recorrer aos livros na hora de escrever os roteiros. "Em alguns episódios a gente tem conhecimento do fato. Em outros, como o do império romano e Júlio César, tive de pesquisar", entrega.

Ao abordar a Santa Ceia, Bruno Mazzeo afirma não ter tido receio com o teor religioso, porém, não abusou. "Não é politicamente correto. Não tenho essa preocupação. Já fiz cenas de Jesus. Ele é respeitadíssimo, não quis debochar. Ele é um grande personagem."

Na hora de escolher quais fatos históricos pinçaria para mostrar no quadro, o autor teve de desistir no meio do caminho. "Em situações como a descoberta do fogo, tive de criar todo um universo em volta. A gente não tem informações precisas de onde aconteceu. Na hora de escrever, vi que alguns fatos não desenrolavam", relembra.

Idealizador da atração, Mazzeo diz ter vontade de fazer projetos diferentes no dominical. "Acho que o Fantástico não pode ter só esquetes de humor. É um espaço para a gente brincar com formatos, como o Marcelo (Adnet) fazendo clipes", opina ele, que está envolvido em um novo programa com Marcius Melhem e Adnet para 2014. "Ainda não sei o que vou fazer, mas é para atuar."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.