Tempos modernos, por Haneke e Auteuil

Caché. No Telecine Cult, às 22 horas. Dir. de Michael Haneke. Reprise, cor, 115 min

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2007 | 23h22

Ao saber que Daniel Auteuil era admirador de seu trabalho e queria filmar com ele, o diretor austríaco Michael Haneke pensou em que tipo de papel oferecer ao ator. Para ele, mais que um grande intérprete, Auteuil passava a impressão de ser um homem que escondia alguma coisa. Pensando assim, Haneke escreveu Caché, atração de hoje da TV paga.Começa com um casal que assiste a um vídeo. Parece inocente, mas o vídeo anônimo revela que ambos estão sendo observados por alguém que conhece rigorosamente a rotina da vida de ambos. Tentando esclarecer o enigma, Auteuil começa a investigar. Além de ingressar num processo paranóico, ele termina por revelar um crime cometido na sua infância.Haneke fez um filme perturbador. Se a criança é inocente, o adulto é, ou deveria ser, responsável por seus atos. A partir daí surgiu Caché, um filme não conclusivo - muita coisa permanece misteriosa - sobre a precariedade da vida moderna. Juliette Binoche havia feito Código Desconhecido com Haneke. É ótima, mas o filme é de Daniel Auteuil. Um papel sob medida, para um ator especial. Caché integrou a competição no Festival de Cannes de 2005. Haneke ganhou o prêmio de mise-en-scène, para a melhor direção.

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