Silvana Garzaro/Estadão
Silvana Garzaro/Estadão

Tatá Werneck fala sobre a final de ‘Deus Salve o Rei’ e outros projetos

Atriz está no filme 'Quase Uma Dupla' e planeja nova temporada de 'Lady Night'

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2018 | 06h00

Tatá Werneck desculpa-se com o repórter porque a entrevista pelo telefone atrasou. “Estava fazendo uma leitura”, explica. Sua vida anda corrida. A novela – Deus Salve o Rei, das 7 – entra na última semana e ela está ansiosa como qualquer telespectador que esteja acompanhando a trama de Daniel Adjafre. Deus Salve o Rei não recorreu ao humor da lendária Que Rei Sou Eu? – embora o tenha bastante, principalmente no núcleo de Tatá e Johnny Massaro –, mas pertence aos domínios do que em Hollywood se chama ‘sword and sorcery’, espada e bruxaria. Todos sabemos que a rainha má, Catarina/Bruna Marquezine, vai ser punida – o cerco fecha-se sobre suas maldades, mas a grande revelação, podem apostar, será que não nasceu em berço de ouro, como pensa. É plebeia.

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Afonso/Rômulo Estrela ficará com Amália/Marina Ruy Barbosa, alguma dúvida? Ah, sim, por falar em dúvida, a pergunta que não cala é se Lucrécia/Tatá ficará com Rodolfo/Massaro? “Torço que sim, mas o Daniel (Adjafre) está me cozinhando. Não diz nada. Acho que ficam.”

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O repórter, que tem assistido à novela, acredita num desfecho a três, porque o rei mulherengo não vai desistir de Glória/Monique Alfradique, a ex-cheinha que fez pacto com forças obscuras e ficou gostosona. (A atriz e a emissora, a Globo, foram criticadas porque Monique usou uma técnica de preenchimento corporal conhecida como fat suit para dar vida à personagem quando tinha sobrepeso e baixa estima, mas essa é uma história antiga. Passou.) O triângulo seria ousado para o horário, mas no Brasil atual, face a tudo o que ocorre, seria o de menos. Tatá está adorando fazer a novela. “Vou sentir falta desse ritmo, dessa loucura. Uma novela de época como essa, com figurino e pancadarias, mesmo entre as mulheres, exige muito da gente. Uma das coisas mais difíceis de acertar foi o olhar, acredita?” E o texto, aquela torrente de palavras que misturam riso e lágrimas, comédia e drama nas falas de Lucrécia? É tudo improvisado? “Que é isso, cara? O texto tem rubricas. É escrito, e bem escrito, mas é claro que é uma questão de ritmo na gravação. E eu tenho espaço para improvisar. Outro dia, numa fala com Amália, improvisei um ‘Amálias que vêm para o bem’, e todo mundo adorou.”

A personagem é uma delícia. “Lucrécia vive no limite. Por um lado tem um comportamento avançado para a época, e a novela o tempo todo mistura passado com referências a dispositivos presentes.” A relação com o tio Heráclito/Marcos Oliveira dá liga para o humor. “A gente se diverte muito nas gravações.” Mas ela também é uma mulher ardente, louca por sexo, “e mulheres apaixonadas fazem loucuras”. A novela chega ao fim, ela está lançando novo filme, com Cauã Reymond – Uma Quase Dupla, direção de Marcus Baldini, que fez o ótimo Bruna Surfistinha, com Deborah Secco, e o filme estourou. Uma Quase Dupla estreia dia 19, com a promessa de também se converter num megassucesso. A propósito, que leitura ela estava fazendo? “Ah, é de um novo programa que vou fazer depois do Lady Night, para o ano que vem. Vai ser bem bacana.” E o Lady Night? “Estou escrevendo e começo a gravar a nova temporada logo depois que a novela terminar. O programa exige muito porque eu participo de tudo – roteiro, música, não deixo passar nada. Gosto de fazer as coisas bem autorais, como eram na MTV.” E o pós-Lady Night? “Vai sair, mas é uma ideia que está sendo afinada, não posso falar.”

Ela conta tudo isso na entrevista realizada no começo da semana. Na quinta-feira, 12, tornou-se público que seu novo projeto de dramaturgia na Globo será a série Bugados, da dupla Fernanda Young e Alexandre Machado, cujas gravações também devem começar logo. O nome de Tatá Werneck é... trabalho? Mas nem umas férias? “Pois é, queria. Estou precisando. Essa coisa de lançar filme é muito estressante, e tem o fim da novela, mas o Rafa não pode, porque está gravando.” Rafa quem, bela, pergunta o repórter, não muito afeito ao festim das celebridades? “Ah, desculpe, Rafa é o meu namorado (Rafael Vitti).” O repórter brinca. “Ah, quer dizer que toda essa sua animação tem um nome...” A entrevistadora que, no Lady Night, adora extrair uma safadeza de seus entrevistados, finge que não entendeu. Vamos ao filme.

Deve ter sido divertido fazer essa mulher f..., que urina de pé. Uma Quase Dupla mostra Tatá como uma policial da cidade grande que vai para uma cidade pequena, ajudar na investigação de um crime. Na verdade, será uma série de crimes. Um serial killer, para desespero do chefe de polícia local. E ela faz uma (quase) dupla com um ainda inexperiente policial local, interpretado por Cauã Reymond, muito devagar para o seu pique. O filme nasceu de uma brincadeira de Cauã com a produtora Bianca Villar. Ela perguntou se ele toparia fazer uma comédia, Cauã disse que sim, sugeriu o nome improvável de Tatá, a produtora amou, e armou. A história foi criada, surgiu um primeiro roteiro – que Tatá ajudou a reescrever. “Mas eu me senti mais à vontade reescrevendo as partes dos outros, não as minhas. Adoro filmes policiais, quero sempre descobrir quem matou. Você descobriu?”, pergunta. O repórter diz que sim, foi moleza, e ela retruca – “Jura?” Mas é melhor sair dessa seara para evitar spoiler que tiraria a graça do filme de Marcus Baldini.

A personagem que urina de pé. “Mas não acho que ela faz xixi (que meiga!) assim porque é machona, f... É porque a Keyla (seu nome) tem pressa, a cidadezinha a oprime. E ela provoca, empurra o Cláudio/Cauã. Foi a graça de fazer esse filme. São duas escolas de interpretação. Eu sou essa coisa acelerada, o Cauã faz drama, é outro timing. E o diretor estava misturando comédia e suspense, o que também era novo para ele. Então, foi um filme que precisou de leitura, de ensaio, de muita harmonização. Acho que deu certo. Foi tudo muito profissional. Nem precisamos repetir tanto.” O final em aberto promete uma sequência? “Eu topo”, ela diz, mas vai depender do público. E o Rafa? “Agora precisamos desligar, tenho outro compromisso”, ela corta. Não, não. E a Lucrécia? “Vamos torcer...”, pede.

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