Eduardo Nicolau/Estadão
Tarcísio Meira e Glória Menezes Eduardo Nicolau/Estadão

Globo não renova contrato com Tarcísio Meira e Glória Menezes

Casal de atores trabalhava fixo na emissora desde 1967

Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2020 | 08h19

Tarcísio Meira e Glória Menezes, um dos casais mais tradicionais das novelas brasileiras e na vida real, foram dispensados da TV Globo. A emissora decidiu não renovar o contrato dos atores em 2020. A nota oficial não menciona a palavra demissão. “Tarcísio e Glória, com quem tivemos uma longa parceria de sucesso, têm abertas as portas para projetos em nossas múltiplas plataformas. Nos últimos anos, temos tomado uma série de iniciativas para preparar a empresa para os desafios do futuro. Com isso, temos evoluído nos nossos modelos de gestão, de criação, de produção e de desenvolvimento de negócios. Em sintonia com as transformações do mercado, a Globo vem adotando novas dinâmicas com seus talentos”, diz o comunicado divulgado pela colunista Patrícia Kogut.

O casal estreou na Globo em 1967, com a novela Sangue e Areia, de Janete Clair. Assim como outras estrelas da emissora que não tiveram contrato renovado, Tarcísio e Glória podem trabalhar na empresa, mas contratados apenas por obra certa, sem vínculo de longo prazo. 

Glória Menezes completa 86 anos em outubro e está no ar com a reprise da novela Totalmente Demais, de 2015. Tarcísio Meira, de 84 anos, interpretou o último papel na Globo em Orgulho e Paixão, há dois anos, com o personagem Lorde Williamson. Ele teve infecção pulmonar na época e deixou as gravações quatro meses antes do previsto. 

Neste ano, Renato Aragão também não teve o contrato renovado com a emissora após 44 anos de casa. O ator e diretor Miguel Falabella, que tinha 38 anos de empresa, foi dispensado do quadro fixo de artistas.

Confira as demissões da Globo em 2020

Malvino Salvador

Em janeiro, o canal confirmou a não renovação do contrato de Malvino Salvador, que também passaria a trabalhar "por obra". Ele esteve no elenco de A Dona do Pedaço.

Regina Duarte

Regina Duarte teve sua saída oficializada em 28 de fevereiro pela Globo após aceitar convite do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para assumir a Secretaria Especial da Cultura.

Zeca Camargo

A não renovação do contrato de Zeca Camargo foi anunciada em 27 de maio. Ele vinha fazendo parte do elenco do É de Casa, nas manhãs de sábado, e chamou atenção no passado principalmente por seu trabalho no Fantástico e No Limite.

José de Abreu

Em uma live realizada em 3 de junho, o ator José de Abreu anunciou que desfez seu contrato "de maneira extremamente boa para os dois lados", com a ideia de "tentar uma carreira internacional". Leia mais aqui.

Miguel Falabella

Em 5 de junho, foi a vez do ator e diretor Miguel Falabella. "Meu contrato acabou [o vínculo vai até setembro], avisaram com antecedência que não iam renovar, mas foram super elegantes, não teve estresse", afirmou Miguel Falabella ao Estadão

Renato Aragão

No dia 30 de junho, após 44 anos, o eterno 'Didi Mocó' deixou a Globo. "É uma sensação de liberdade", afirmou Renato Aragão sobre o momento.

José Loreto

Em 1º de julho de 2020, a emissora confirmou a não renovação do contrato de José Loreto. Seu trabalho mais recente foi na novela O Sétimo Guardião, que chegou ao fim em maio de 2019.

Débora Nascimento

Em 2 de julho, um dia após o ex-marido não ter renovação de contrato com a Globo, foi a vez de Débora Nascimento.

 

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Glória Menezes volta com espetáculo 'Ensina-me a Viver'

Tom libertário da peça motivou atriz a encenar a velhinha que não vê barreiras para o amor

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

09 de agosto de 2015 | 03h00

Desde 2007, quando estreou a peça Ensina-me a Viver, Glória Menezes coleciona histórias pitorescas sobre as diversas reações da plateia. “Eu me acostumei a ser procurada por senhorinhas dizendo esperar por um Harold em sua vida”, diverte-se ela, que interpreta Maude, a octogenária de bem com a vida que desperta a paixão de Harold (Arlindo Lopes), o jovem angustiado.

Entre os diversos lugares que visitou para apresentar a peça, Glória guarda com especial carinho a passagem por diversos Centros Educacionais Unificados, os CEUs, onde encontrou um público novato em teatro. “Na Vila Brasilândia, tivemos tanto uma mulher de 90 anos que nunca havia visto uma peça como uma jovem mãe, que deixei entrar com um bebê de 4 meses”, relembra a atriz. “A criança não chorou...”, dizia ela, quando foi interrompida pelo marido Tarcísio Meira: “...e a velhinha não dormiu!”.

O humor marca a relação de 52 anos de casados. Glória preocupa-se em alinhar o cabelo do marido – a intenção é tanto deixá-lo bonito para as fotos como lhe dar um carinho. Já Tarcísio se preocupa com a pequena contusão de Glória, que caiu no camarim enquanto se preparava para a peça. “Minha mulher é forte, faz ginástica, está sempre disposta, mas preciso cuidar dela”, revela o ator, que não esconde sua insatisfação quando a duração de seu casamento é lembrada como mérito. “Não somos diferente de nenhum casal.”

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Tarcísio Meira e Glória Menezes retornam ao teatro

Casal ainda busca desafios no palco e na televisão

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

09 de agosto de 2015 | 03h00

Dois momentos de pura idolatria – na semana passada, após uma consulta médica de rotina em São Paulo, o ator Tarcísio Meira é surpreendido, ao entrar no elevador, por um homem que diz: “Finalmente! Estou aqui há horas, subindo e descendo, esperando o senhor chegar só para tirar uma foto”. Em outro momento, no aeroporto de Congonhas, a atriz Glória Menezes é também surpreendida, dessa vez por um rapaz que se curva e lhe cede passagem afirmando: “Por todos os sonhos e bons momentos que você me proporcionou, por favor, passe na minha frente.” “As pessoas são sempre muito gentis conosco”, comenta Tarcísio. “Ainda somos tratados como membros da família”, completa Glória.

Casados há 52 anos, Tarcísio e Glória tornaram-se referência na cultura brasileira. No cinema, teatro, mas especialmente na televisão, eles presenciaram o crescimento do gênero, desde a época de precariedade técnica (“Fazíamos novela quase ao vivo”, lembra Tarcísio) até que o avanço tecnológico permitiu que a TV integrasse o País, derrubando fronteiras regionais.

Protagonistas de um manancial de histórias saborosas, Tarcísio e Glória estão prestes a acrescentar mais uma: ambos estarão em cartaz em palcos paulistanos. Ela reestreou, na sexta-feira, 7, a comédia romântica Ensina-me a Viver, no Teatro Bradesco, espetáculo que está na estrada desde 2007, quando iniciou carreira em São Paulo. E Tarcísio, perto de completar 80 anos (5 de outubro), idade que Glória alcançou no ano passado, está ansioso para voltar ao teatro depois de duas décadas com O Camareiro, poderoso drama em que vive um ator à beira de um colapso nervoso e que estreia dia 4 de setembro, no Teatro Porto Seguro.

“Durante quatro dias (de 4 a 6 de setembro), estaremos em cartaz ao mesmo tempo”, observa Glória que, logo em seguida, vai com sua peça para Uberlândia e Porto Alegre. “Eu fiz mais teatro que Tarcísio, mas, em compensação, ele participou de mais filmes.” Telenovelas, no entanto, ambos somam números portentosos – Tarcísio atuou em 54 e Glória, em 37, preparando-se agora para o próximo folhetim das 19 h, Totalmente Demais.

A trajetória artística do casal praticamente coincide com a história da televisão brasileira, ainda que o casal iniciasse a carreira no teatro. Tarcísio estreou em 1957, com A Hora Marcada, enquanto Glória começou no mesmo ano com Devoção à Cruz. Mas eles começaram a se tornar populares com 2-5499 Ocupado, a primeira telenovela diária brasileira, exibida pela TV Excelsior em 1963.

“A trama era ruim, água com açúcar, inspirada em uma história argentina, fizemos por obrigação”, conta Glória. “Mas, apesar disso, foi um sucesso tremendo e teve o mérito de permitir o que tanto ambicionávamos: as novelas acostumaram o público ao teatro popular, algo que não conseguíamos com o formato tradicional”, completa Tarcísio. “Foi graças ao sucesso dos folhetins que o público também criou o hábito de se informar pelos telejornais, exibidos entre uma história e outra. No seu auge, quando contou com criadores como Bráulio Pedroso, Jorge Andrade, Dias Gomes, a novela representou um exercício de sensibilidade para o espectador.”

Tarcísio, cuja mais recente aparição na telinha foi no remake de Saramandaia, em 2013, não esconde o desgosto com as tramas atuais, que considera frias. “Sinto que faltam personagens que caiam no gosto do público, que se tornem seus amigos.”

Personagens vividos por ele e Glória com grande sucesso, às vezes excessivo – certa vez, no Recife, onde foram perseguidos por uma multidão de fãs, tiveram as roupas rasgadas e fios de cabelo arrancados. “Mas, de uma maneira geral, sempre somos bem tratados”, observa Glória.

Eles são testemunhas também da evolução tecnológica da TV, especialmente da Globo. “No começo, era uma emissora pobrezinha, com equipamentos de segunda linha e usando fitas usadas”, conta Tarcísio. “Em um dia de dez horas de trabalho, passávamos duas ensaiando, outras duas gravando e o resto esperando o conserto das câmeras.”

Essa época de desbravamento é lembrada com boas histórias. Glória se diverte quando lembra do marido gravando cena para Sangue e Areia, na qual vivia um toureiro. “Ele gravava no terraço da Globo e fingia tourear com uma capa vermelha. Só que o touro era o guidão de uma bicicleta, o que fazia a festa dos moradores dos prédios vizinhos."

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