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Tão iguais e tão diferentes

Com 22 episódios e elenco de estrelas, 'As Brasileiras' retrata mulheres reais de Norte a Sul do País

Alline Dauroiz, de O Estado de S.Paulo,

28 Janeiro 2012 | 20h43

SÃO PAULO - Se as cariocas de Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) eram exuberantes e fogosas, as brasileiras de Daniel Filho são bem mais pé no chão. De Fernanda Montenegro a Juliana Paes, de Glória Pires a Xuxa, mulheres de todos os tipos físicos e idades se reúnem, em 22 episódios de As Brasileiras - série derivada de As Cariocas (2010), que por sua vez era inspirada nas crônicas de Sergio Porto -, com a missão de retratar figuras de Norte a Sul do País, nem sempre com humor. A trama semanal estreia nesta quinta-feira, às 23h10, na chamada segunda linha de shows da Globo.

 

“Além da naturalidade, e do fato de falarem a mesma língua, as personagens nada têm em comum. Uma nunca poderia ser igual à outra”, diz Daniel, que agora dirige seis episódios e divide os restantes com Cris D’Amato e Tizuka Yamazaki. “Mas se tivesse de escolher uma protagonista como a grande representante do País, seria a Fernanda Montenegro”, conta o diretor.

 

Grande homenageada, Fernanda fecha a safra, em episódio previsto para junho, como a personagem Maria do Brasil.

 

“Eu fiz a sinopse desse capítulo e a Ana Maria Moretzsohn escreveu e me trouxe um nome: Mary Torres. O Mary é uma homenagem à minha mãe (a atriz argentina Mary Daniel) e o Torres, homenagem ao Fernando Torres (marido de Fernanda)”, explica Daniel ao Estado.

 

Nas palavras da própria Fernanda, a Maria da série é uma atriz “cheia de esperança, mas faltou um pouco mais de talento e brilho para se tornar a estrela que sempre sonhou”. Um tanto nostálgica, a história fala de frustração, da vocação incompleta. Na busca dessa realização, Mary volta à TV, para reascender sua carreira, mas acaba encontrando um novo amor. Convidados especiais, Pedro Paulo Rangel e Paulo José completam o time do capítulo que, como diz Daniel, “teve um carinho especial”.

 

Assim como em As Cariocas, Daniel Filho narra a introdução dos episódios, em textos escritos pelo poeta e autor Geraldo Carneiro - mas, desta vez, sem a as crônicas de Ponte Preta.

 

Para contemplar as diferentes regiões do Brasil, a série conta com um minidocumentário que, na opinião de Tizuka, é um verdadeiro programa de turismo. “Depois da estreia, vai ter gente de tudo quanto é Estado ligando e pedindo mais, porque é uma promoção gratuita a esses lugares.”

 

Entre as histórias, estão A Justiceira de Olinda (episódio de estreia com Juliana Paes), A Indomável do Ceará (com rara aparição na TV dos hollywoodianos Alice Braga e Rodrigo Santoro), A Matadora do Alagoas (com Cléo Pires) e A Doméstica de Vitória (com Dira Paes).

 

“Em alguns episódios, buscamos atrizes que se relacionassem com aquela localidade”, explica Tizuka. “A mineira Ísis Valverde está em A Culpada de BH; a Xuxa, em A Fofoqueira de Porto Alegre, e a Maria Fernanda Cândido, em A Perseguida de Curitiba.”

 

Sem dispensar preparadores de elenco, Daniel também apostou em quem não tem a atuação como principal ofício, caso de Ivete Sangalo, Sandy e Xuxa. O critério foi o de que as protagonistas tinham de ser boas comunicadoras.

 

Já o fato de Daniel escolher duas diretoras para a missão de comandar as histórias foi coincidência, garante o diretor. Mas ele admite que o fato de serem mulheres facilitou o trabalho.

 

Tizuka discorda. “Outro dia, o Daniel veio com um papo de que queira que eu ou a Cris dirigíssemos um episódio sobre mãe e filha, dizendo: ‘Acho melhor vocês, que são mães, fazerem’. Acabou que a Cris pegou, mas achei uma bobagem”, conta Tizuka. “O Daniel conhece muito o universo feminino. Fez desde Malu Mulher a Confissões de Adolescentes, passando por outros trabalhos. Ele tem competência pra fazer qualquer filme sobre a mulher, porque tem um olhar único e delicado sobre nós.”

 

Para ele, o trabalho de As Brasileiras não deve acabar este ano - a série tem fôlego para outras temporadas. “Por mim, e se me deixarem, faço isso até o fim da vida”, completa o diretor. 

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