Tata Barreto/Globo
Tata Barreto/Globo

Taís Araújo estreia como apresentadora de programa de auditório em ‘Os Brau'

Especial é um spin-off do seriado Mister Brau, que estreia sua terceira temporada no dia 18 de abril

Gabriel Perline, O Estado de S.Paulo

08 Abril 2017 | 04h01

Amanhã, 9, por volta das 13h, Taís Araújo surgirá na tela da Globo diante de uma plateia de 150 pessoas, com microfone e fichas técnicas em mãos, fazendo sua estreia como apresentadora de um programa de auditório. Mas, na verdade, quem estará no comando da atração será Michele, sua personagem em Mister Brau. O especial, intitulado Os Brau, é um metaprograma, ou seja, um programa fictício criado dentro da dramaturgia da série, que cresceu durante o processo de gravação e ficou pequeno para ser apresentado somente como um quadro do seriado. Será um ‘esquenta’ para a terceira temporada, prevista para estrear no dia 18 de abril.

“Esse programa virou um especial de tão bom que ficou. Ele não era para ser assim, era para ficar dentro da dramaturgia, para costurar a dramaturgia”, disse Taís ao Estado. “Foram dez dias de gravação, estávamos exaustos, mortos, mas muito satisfeitos com tudo.”

Os Brau é um experimento curioso da Globo. Afinal, trata-se de um spin-off de uma dramaturgia que vai ocupar um horário nobre da grade de domingo, que até então era preenchido pelo The Voice Kids. E os apresentadores, na verdade, serão os personagens de Taís e Lázaro Ramos. É tudo uma grande ficção, porém com ares de realidade. Artistas em evidência no cenário musical, como Marília Mendonça, a dupla Maiara e Maraísa, Liniker e Karol Conka, passarão pelo palco do programa. Além disso, Michele e Brau abrirão espaço para debates de temas sensíveis, como preconceito, bullying e adoção. 

“Gravamos esse especial na metade do ano passado e fomos atrás de artistas que não estavam no mainstream. A única que era muito conhecida por todo mundo é a Claudia Leitte. E foi ela quem pediu para participar da série. Ela passou em nosso camarim, perguntou se poderia entrar na história e nós topamos na hora”, lembrou.

Além dos palcos. A terceira temporada de Mister Brau terá um foco maior no ambiente familiar e vai mexer completamente com a vida de Brau e Michele. O casal adota as crianças Carlito (Sérgio Rufino), Egídio (Leonardo Lima) e Lia (Brunna Oliveira). Para entender os filhos, precisarão revirar suas memórias de infância. Embora se trate de uma comédia, alguns pontos sensíveis surgirão a partir daí.

“A terceira temporada tem uma característica muito marcante, que é falar de família. Eles adotam três crianças, e isso muda toda a estrutura deles, assim como acontece na vida real de qualquer casal que tem um filho. Eles são obrigados a olhar para si mesmos e lembrar das crianças que eles foram para poder lidar com essas crianças conforme as demandas vão aparecendo”, explicou Taís. “Isso mexerá muito na estrutura deles. Michele ficará menos prática, mais carinhosa e mais próxima das crianças. Ela terá que revisitar a menina que ela foi na infância e entender por que ela virou essa mulher tão dura.”

Ao revisitar seu passado, o público terá acesso a detalhes desconhecidos de sua trajetória. “O pai dela entra na história e este será um grande ponto de conflito”, antecipou.

Aílton Graça interpretará o pai de Michele, um homem de perfil conservador, evangélico, que tentou fazer a filha explorar seus dotes artísticos dentro da igreja frequentada pela família. “A Michele foi criada dentro de uma Igreja Batista. Ela teve uma educação cristã e vai contra o que ela de fato queria para a vida dela, que era o mundo do show. O pai queria que ela ficasse na igreja, ela até chegou a cantar no coral da igreja, só que seu desejo sempre foi seguir a vida artística além das portas da igreja. A chegada do pai causará uma grande impacto em sua vida”, relatou.

Além do roteiro. Trabalhar em Mister Brau tem proporcionado experiências inéditas a Taís Araújo. Além de se colocar como apresentadora de um programa de auditório – mesmo que ficcional –, ela diz se envolver na criação dos rumos de sua personagem. “Mister Brau talvez seja o programa que a gente mais tenha voz durante o processo de construção. Lázaro escreveu alguns episódios das temporadas anteriores, e a gente conversa muito com o Jorge Furtado e com o Guel Arraes (criadores da série). Discutimos sobre o caminho que a gente pode seguir na história e os temas que podemos abordar. É algo que eu nunca tinha feito dentro da Globo”, afirmou.

‘Cumpre uma função especial sem a pretensão de resolver o mundo’

São poucas as produções da TV brasileira que trazem os negros ao protagonismo. E dentro desse universo, há uma parcela ainda menor das que os colocam em cena longe da marginalidade. Com as sutilezas características da obra de Jorge Furtado, Mister Brau se utiliza da comédia para tocar em algumas feridas sociais. Racismo, por motivos óbvios, é o ponto central. Mas vai muito além.

“Mister Brau acabou virando um programa que cumpre uma função especial sem a pretensão de resolver o mundo. Vem através da comédia provocar uma reflexão. Falamos de temas sérios e de uma maneira muito sincera. Todos os programas que trazem o questionamento social em sua estrutura repercutem muito. E são temas difíceis de serem tocados. A comédia é um instrumento maravilhoso para provocar a reflexão. Ela agrega e convida a refletir. Ela não obriga a isso”, pondera ainda Taís Araújo.

Ela, que também integra o Saia Justa, do GNT, acredita no poder do debate para transformar o mundo. “É a minha vida, são as coisas em que eu acredito, a maneira como educo os meus filhos, minha vontade de ver este país melhor. E eu posso fazer e falar tudo isso e ainda sou paga para isso (risos).”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.