ALINE MASSUCA/ESTADÃ?O
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Cristina Padiglione
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Susana Vieira vive ex-prostituta na novela 'A Regra do Jogo'

Adisabeba mora no Morro da Macaca e será ponta de triângulo amoroso com personagens de Tony Ramos e Cássia Kis

Cristina Padiglione, O Estado de S. Paulo

16 de agosto de 2015 | 10h00

Prestes a completar 73 anos, Susana Vieira não para nem para respirar. Abusa das interjeições e se irrita com esse negócio de “tom naturalista” na arte de interpretar. Quando a diretora Amora Mautner lhe disse que “o acerto está no erro”, no sentido de defender a espontaneidade como valor maior em cena, Susana logo se gabou de, em seus 45 anos de Globo, jamais ter entrado no estúdio sem o texto na ponta da língua: “Eu não erro”, falou a atriz. “Pois comigo você vai errar”, decretou Amora, que dirigirá Susana em A Regra do Jogo, próxima novela das 9, de João Emanuel Carneiro.

No enredo que vem aí a partir do dia 31, Susana é Adisabeba (referência à capital da Etiópia, Adis Abeba), ex-prostituta e hoje uma liderança no Morro da Macaca, dona do hostel, de uma boate, de um restaurante e de metade dos barracos de alvenaria estilizados da favela. Faz triângulo com Tony Ramos e Cássia Kis, o que chama de “combo do Mac Donald’s”, de tão bom. Entusiasmada com o papel, Susana falou ao Estado por telefone, diretamente do salão de Celso Kamura, no Rio, onde cuidava da manutenção das longas madeixas de Adisabeba.

Esse cabelo todo é seu?

Ai, meu amor, só se fosse uma pílula mágica (risos). É megahair, meu amor. Foi a primeira vez, eu nunca tinha usado, foi uma criação da Amora, acho muito bom. Ela queria mostrar uma imagem bem diferente de mim nessa novela e eu também gostei. Dá um pouquinho de trabalho porque é muito comprido, mas estou feliz com a personagem e aí resolvi que eu não penteio.

Adisabeba foi prostituta e agora vive de renda dos barracos que aluga no morro, é isso?

Esse nome é muito interessante, é uma coisa qualquer do João (Emanuel Carneiro). Sei que é capital da Etiópia, mas tem Troia também, ele sempre inventa uma coisa. Ela foi prostituta, viajou muito para fora, acredito que tenha sido uma prostituta viajada. É líder comunitária, seria a dona do morro. Essa novela trata de uma favela depois da pacificação. O tráfico acabou, os cabeças do tráfico foram presos e Adisabeba viu uma chance, não de dominar o morro, mas ela gosta muito de dinheiro, é muito criativa. Ela fez uns barracos de alvenaria e mandou pintar, para as pessoa terem um pouco de autoestima, e aluga. Ela é dona de metade dos barracos.

É a rica da favela.

Ela é mais rica, mas é uma liderança dentro daquela comunidade. É justa, dá emprego para muita gente, cria um hostel, faraônico, com piscina de hidromassagem, um restaurante, uma boate de funk. Ela fez do morro uma cidade. É dinheiro entrando na favela e é dinheiro entrando no bolso do pessoal da favela.

Você já visitou o Vidigal?

Muito, amorzinho, já fui Mamãe Noel da favela da Rocinha, desci de helicóptero junto com o Papai Noel, aí distribuímos os presentes. Já fui madrinha da parada gay na Rocinha, lá eles gostam muito da Susana Vieira. E eu gosto muito de funk, muito. O fato de eu estar na favela, já sei como é que sobe e como é que desce. No Vidigal, também já me chamaram, por causa do carnaval. Não tenho problema, sou muito popular, parece que já nasci e cresci em qualquer lugar onde eu esteja.

Você falou que não erra, tem o texto decorado, e a Amora, que espalhou câmeras ocultas pelo estúdio, jurou que você vai errar. Como está sendo essa novidade?

No fundo, ela procura a sensibilidade do ator, a verdade dele. Tecnicamente, essa coisa de câmera escondida não me atrapalha. Agora, não gosto de inventar texto porque cada autor tem a sua maneira de escrever. Tenho o costume de decorar exatamente o que está escrito, porque o caco (improviso) é a minha maneira de falar, como Susana Vieira, e não sou escritora da novela. Você pode botar caco num texto seu se for num stand up. A Amora quer um pouco isso e não sei como vai ser. Vou entrar no meu cenário esta semana, mas a ideia é, por exemplo, não se preocupar em parar de passar o café para falar, como no cotidiano das pessoas. Eu falo andando pra lá e pra cá, isso sou eu, quer dizer, agora não estou andando muito por causa do pé que quebrei. Não vou poder usar o salto alto que imaginei.

Durante a novela toda?

O quê? Meu osso junta em dois dias. Mas agora ainda não dá, tenho que fazer um pouco de exercício, tirei a bota hoje (segunda-feira). As meninas que dirigem – além da Amora, a Joana Jabace – estão mandando em mim, elas são muito boas! Adorei descobrir uma gente jovem, muito boa e mulher. Eu me sinto irmã, filha, mãe, preciso muito das duas, são elas que estão me conduzindo a um personagem que nunca fiz. Cansei de fazer mãe de todas as mocinhas protagonistas da Globo e de todos os galãs também. Eu não me envergonho, faço aquilo com prazer, mas fazer um outro tipo de personagem é uma boa experiência. Entro insegura, procurando o tom de voz, o tom da personagem. Sempre entro em cena meio como eu. Até me acomodar dentro do personagem demora um pouquinho.

E a relação com Tony Ramos?

Isso é um sonho, sem querer dizer que meu melhor par é o José Wilker, o segundo melhor é o Tony Ramos. Mais tempo fiquei com o Wilker casada do que com qualquer marido na vida real. Fiz o Anjo Mau em 1975 com ele. Essa perda, pra mim, foi do marido que mais amei, meu melhor colega, que me ensinou muita coisa, de vida, de se divertir sem levar tudo tão a sério. E o Tony Ramos, eu admiro muito, ele tem nuances, ele é muito bom ator, tenho que admirar a pessoa, como ator e companheiro de trabalho. 

Há um triângulo com a Cássia Kis Magro, é isso?

Bom, essa atriz é uma das favoritas da minha vida. Acho que, no passado, ela tomou ele de mim, mas não sabemos muita coisa sobre isso, ainda. Mas, para mim, é um presente triplo, um combo do Mac Donald’s, disputar o Tony Ramos com a Cássia Kis. Ela é uma das maiores, dá show, tenho até medo. Sempre que ela vai chegar, eu, percebendo que ela pode ser melhor que eu, digo ‘ah, não, péra aí!’ (risos). Logicamente, sou muito vaidosa e isso me desafia. Sou mãe do Juliano Cazarré, todo sarado, e tenho um namorado, que é um garçom do meu restaurante. De dia ele é garçom e, de noite, eu mando ele dormir comigo. É uma personagem vibrante, uma pessoa que gosta de amor, gosta de transar. Ela tem uma lareira no quarto, e quando eles estão transando, ele fala ‘que calor que tá aqui’ e pede para ligar o ar condicionado. 


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