'Supermax', nova minissérie da Globo, promete sangue, suspense e predadores

Trailer da atração que estreia dia 20 é exibido no Festival de Gramado

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2016 | 04h00

GRAMADO - E a Globo usou o quadro do 44.º Festival para mostrar na sexta, 2, imagens de Supermax. Elas foram seguidas por uma coletiva dos autores da nova minissérie que vai ao ar dia 20 – Marçal Aquino e Fernando Bonassi. À tarde, houve outra entrevista, da ‘chica’ almodovariana Cecilia Roth. Ela veio receber seu Kikito de Cristal, o prêmio de Gramado que homenageia uma grande personalidade do cinema latino-americano. Supermax terá uma versão internacional, em língua espanhola. O consagrado Daniel Burman é o diretor e Cecilia faz uma das protagonistas – provavelmente uma síntese de duas personagens da versão brasileira, informou Marçal.

Prepare seu coração, e os nervos – a Globo entra rachando na ficção científica, e com elementos de terror. As imagens exibidas prometem – uma estranha criatura, meio Gollum (de O Senhor dos Anéis), diversos tipos de predadores. E muito sangue. Marçal contou que Supermax começou a nascer há dois anos e meio, no núcleo comandado pelo show runner José Alvarenga Jr. Marçal e Bonassi já trabalharam com ele em duas minisséries policiais, Força Tarefa e O Caçador. Como sempre, tiveram carta branca para criar. “Bonassi e eu queríamos trabalhar com a noção de confinamento. Foi assim que surgiu a ideia de uma penitenciária de segurança máxima em plena Amazônia. Mas não queríamos somente personagens masculinos. Queríamos ter também mulheres, mas penitenciárias não são mistas. Terminou virando um reality show”, explicou Marçal.

 

Inicialmente, seria uma criação dos roteiristas com o diretor, Alvarenga. “Achamos que teríamos um ano para desenvolver o projeto, mas aí a Globo encurtou o prazo. Foi quando surgiu a ideia de um ateliê de roteiristas”, segue Marçal. A essa altura, o conceito de uma minissérie de terror já vinha se desenhando, mas Bonassi tem outra definição – “Para mim, é ficção científica, mas como tínhamos todas essas histórias e personagens (12), resolvemos incorporar outros nomes à equipe de criação. Não dominamos todas as linguagens, e o desenho começou a ter terror, horror, suspense. Fomos aos especialistas.” E novos roteiristas começaram a ser incorporados – Juliana Rojas, Dennison Ramalho, etc. No total, são oito. Nas entrevistas que deram ao Estado sobre Justiça, a minissérie no ar, a autora Manuela Dias e o ator Cauã Reymond destacaram como muito importante o fato de não haver um protagonismo claro. São quatro histórias, cada uma com seu personagem principal, mas as tramas vão se tocando e até misturando numa costura complexa. “Acho que, na origem de Supermax, está esse desejo de trabalhar de novo com Mariana Ximenes, com Cléo Pires. Mas ninguém é protagonista. São 12 capítulos, 12 personagens, mas não se segue cada personagem num capítulo. Tem capítulos em que dois têm a mesma importância”, esclarece Marçal. 

“O processo todo foi muito democrático. Todo mundo participando da elaboração. Depois, cada um escreveu um ou mais episódios. Foi um coletivo. (Daniel) Burman disse uma coisa muito interessante, ele que, como nós, Bonassi e eu, veio do cinema. Burman disse que todo mundo tinha de deixar o ego de fora ao entrar no ateliê. E foi isso que ocorreu.”

Para a dupla, criar com a garantia da infraestrutura da Globo – e a competência de diretores como Alvarenga e José Eduardo Belmonte – é algo extraordinário. “Eu gosto de dizer que, no cinema, quando sobem os créditos do filme, na verdade sobem os débitos. Há sempre carência de recursos. Na Globo, como indústria cultural, se você pede dois camelos eles perguntam ‘Por que não dez?’. No cinema, se você pedisse dois o produtor ia dizer – um. Na TV, só precisaríamos justificar para ter os dez. Isso foi extraordinário – a liberdade de imaginar, com a certeza de que teríamos técnicos e recursos para dar verossimilhança a tudo. Não é aquela pobreza de filme de terror brasileiro, em que você vê o zíper na fantasia do monstro.”

O que a Globo mostrou de Supermax em Gramado é impactante. E o que é, afinal, a série. Ficção científica, como quer Bonassi, terror? “Para mim, é transgênero”, definiu Marçal. “Começa como reality show, vai mudando, incorporando. Estamos muito orgulhosos do trabalho”, acrescentou.

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