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Sucesso mexicano, série 'Sr. Ávila' chega à quarta e última temporada na HBO

Série retorna com uma história de vingança do protagonista

Pedro Rocha, Especial para O Estado

29 Julho 2018 | 06h00

Depois de se consagrar como o melhor programa de horário nobre em língua não-inglesa durante a última edição do Emmy Internacional, a série mexicana Sr. Ávila, da HBO, retorna para a sua quarta e última temporada com uma mudança gigantesca na história. A estreia dos episódios finais no canal pago é neste domingo, 29, às 21h.

No México, Sr. Ávila é uma sensação. Nas bancas de revista do país, o rosto do ator norte-americano Tony Dalton, protagonista da história, estampa várias capas. Ainda assim, a produção da série decidiu que era a hora de dar adeus. Para isso, a última temporada da série traz uma história pessoal de vingança do personagem-título, o antigo vendedor de seguros que trabalhava também como assassino de aluguel numa grande organização criminosa - até que é “promovido” à posição de “Senhor”, o líder do negócio. 

Se nas três primeiras temporadas o público acompanhou os diferentes casos de assassinato comandados por Ávila, enquanto ele era manipulado pelos membros da perigosa organização criminosa, agora, nos episódios finais, vamos ver o personagem lutar para se livrar das garras da organização, responsável pela morte de seu filho e por todas as tragédias que vieram em sequência. “Ávila era como uma vítima, tudo que acontecia em sua vida era por consequência da história”, analisa Dalton, durante uma mesa redonda, no escritório da HBO no México, com jornalistas de toda a América Latina. “Agora ele toma as rédeas e as suas decisões que vão mudar a história.”

Para Dalton, que viveu o personagem durante seis anos, desde o início das gravações da primeira temporada, esta era a hora certa de mostrar Ávila por um viés mais humano. “Cada temporada funcionou como um ato e este é o da libertação.” O primeiro episódio da última temporada começa com uma sequência lynchiana em que o personagem encara, em meio a um circo, os maiores demônios - e mortes - do seu passado. “É a primeira vez que ele se revolta com todos que o manipulam e resolve destruí-los”, afirma o diretor Fernando Rovzar, que nesta temporada estreia como roteirista ao lado dos irmãos argentinos Marcelo e Walter Slavich. “É por isso que a quarta temporada começa com uma grande sequência interna. Temos alguns momentos mais surrealistas, para nos despedir com absoluta dignidade.”

Finais. A quarta temporada serve não apenas para dar o final merecido à história pessoal de Ávila, mas também a todos que o cercam. Diferente das anteriores, nesta etapa da história, os casos de assassinatos por aluguel quase somem. “Apesar de entrelaçados nesta temporada, Ávila, Ana e Iván seguem cada um seus caminhos”, diz Rovzar. “Todos os personagens tiveram seus ciclos, e agora eles se encerram”, afirma Carlos Aragón, que rouba a cena como Iván, o auxiliar dos “senhores”. 

Com seu bom timing de humor negro, o personagem é um dos favoritos entre os fãs, apesar de todas as suas maldades. “É cômodo para Iván estar nos bastidores e fazer o que tem que ser feito”, acredita seu intérprete. Para Aragón, conhecido por seus papéis de comédia no México, a sensação de dar adeus à Iván é mista. “A última cena que filmamos é a última da série. Foi uma entrega absoluta e um alívio”, diz. 

Para Camila Selser, que vive Ana, personagem que teve sua história mais explorada já na terceira temporada, Sr. Ávila representou uma evolução pessoal. “Cresci como mulher e atriz.”

Para 15 anos de mercado latino, 15 novas produções brasileiras

A quarta e última temporada de Sr. Ávila é lançada enquanto o canal pago HBO comemora os 15 anos desde a sua primeira produção original na América Latina, a série argentina Epitáfios. No Brasil, a celebração vem com o anúncio de 15 novas produções documentais, entre filmes e séries, que contemplam diversos assuntos. Todos os documentários contam com recursos da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional, a Condecine.

Duas séries, Funk.doc e Clubversão Latino, além do filme Refavela 40, sobre o icônico álbum de Gilberto Gil, falam de música. Arquis, série sobre arquitetura, apresenta vida e obra de nomes da área na América Latina. Outra série documental, Babel SP, fala sobre imigração em São Paulo. 

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As novas produções abordam também a questão da violência no Brasil, nos filmes Apenas Meninas e Em Busca de Anselmo, e em duas séries. Em Em Nome dos Pais, o jornalista Matheus Leitão Netto mostra a história de filhos de militantes de esquerda que, como ele, também sofreram o impacto da Ditadura Militar. Já em Rompendo o Silêncio, com direção de Giuliano Cedroni e Marina Person, o assunto é a crescente cultura de violência no ambiente universitário. 

A lista se completa com três produções sobre o poder feminino, Bertha Luz, Elas no Singular e O Elogio da Liberdade, dois documentários sobre economia, 12 Moedas e O Plano, e ainda a produção Dia Um, uma série sobre a primeira experiência - em diversos aspectos. 

A seleção dos temas, de acordo com a HBO, não teve nenhuma demanda específica. “Acreditamos que os documentários devem tratar de tudo”, diz Roberto Ríos, brasileiro que é vice-presidente corporativo de Produções Originais da HBO Latin America. “Seja na ficção ou na vida real, queremos encontrar diferentes vozes.”

Novas séries. Além das novas produções documentais, o canal pago planeja também novas séries ficcionais no Brasil, que estão em diferentes fases de desenvolvimento. Com direção de Bruno Barreto, O Hóspede Americano, sobre a viagem do ex-presidente americano Theodore Roosevelt para Rondônia, em 1913, atualmente está em fase de pós-produção. Santos Dumont: Mais Leve que o Ar, sobre o pai da aviação, está no final de suas filmagens. Já Pico da Neblina, série com direção de Fernando Meirelles, deve entrar em produção em breve para mostrar uma São Paulo onde a maconha é liberada.

“Devemos apresentar ainda novos projetos no Brasil, Argentina e Colômbia”, afirma Ríos. Segundo ele, muitas produções feitas na América Latina, como Sr. Ávila, têm uma boa aceitação no Brasil, assim como séries brasileiras, como Magnífica 70, têm fora. “Temos uma plataforma ampla que permite apresentar produções de outros países.”

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