Sucesso dos anos 1980, ‘Cosmos’ volta repaginada

Série quer aguçar curiosidade pela ciência e atrai atenção até de Barack Obama

Fernanda Brambilla, Especial para O Estado de S. Paulo

10 de março de 2014 | 19h50

A grandiosidade da nova série Cosmos, uma parceria do NatGeo com a Fox que vai ao ar nesta quinta-feira, se comprova antes do primeiro episódio. O remake da bem-sucedida produção dos anos 80 comandada pelo astrônomo Carl Sagan terá grandiosa estreia mundial, com exibição em 170 países e em 48 idiomas.

A atração volta repaginada, com efeitos visuais primorosos, novos questionamentos sobre o universo e nomes como Seth MacFarlane (Uma Família da Pesada) como produtor executivo.

Nesta quinta, às 22h30, NatGeo exibe o primeiro capítulo simultaneamente com Nat Geo Wild, Fox, FX, Fox Life, Bem Simples, Fox Sports, Fox Sports 2 e Fox & Nat Geo HD. A partir do dia 20, os episódios serão exibidos às quintas-feiras no mesmo horário no NatGeo. Já nos Estados Unidos, a atração ganhou um improvável garoto propaganda: o presidente Barack Obama.

No vídeo divulgado no YouTube (sem legendas em português), ele diz: "Os EUA sempre foram um país de exploradores destemidos. Sonhamos mais alto e vamos além do que os outros imaginam. É esse espírito de descoberta que Carl Sagan capturou em na Cosmos original. Hoje, estamos fazendo todo o possível para trazer esse mesmo sentimento de inexplorado para uma nova geração. Há novas fronteiras para explorar e precisamos de americanos prontos para explorá-las. Não há limites. Então abra os olhos e a imaginação. A próxima grande descoberta pode ser a sua."

Carl Sagan (1934-1996), astrônomo, escritor e condutor televisivo, foi um dos grandes responsáveis pelo sucesso da série original – em 1980, Cosmos foi vista por mais de 750 milhões de pessoas – por apresentar temas complexos em linguagem simples, em um contexto em que o universo ainda era grande fonte de interesse do grande público, remanescente da guerra fria e da corrida espacial. A televisão inovava ao propor a discussão científica como entretenimento e a produção levou três prêmios Emmy.

Mais de 30 anos depois, Cosmos volta à TV sob um novo panorama. "Cosmos quer mostrar que ciência não é mais aquela matéria chata da escola que você tinha que assistir mas não via sentido prático", diz o novo apresentador da série, o astrofísico norte-americano Neil deGrasse Tyson, de 55 anos, um pupilo de Sagan. "Em cada programa, vamos dar informações que correlacionem algo do universo, seja macro ou microscópico, com o espectador. Uma geração se passou desde que a série original foi ao ar. Estamos diante de uma nova ordem mundial, política, cultural e social. Cosmos vem pôr luz sobre alguns temas para que possamos entrar bem nesse século 21, que está apenas começando."

À altura do original em termos de carisma e didatismo, Tyson é presença constante em programas de televisão e rádio americanos como comunicador de ciência. Ann Druyan, viúva de Sagan, é a roteirista e diretora do novo programa; completa a equipe o diretor de fotografia Bill Pope, famoso pela trilogia Matrix.

Tyson, que assume o lugar de seu mentor como condutor da nave exploradora que é ponto de partida para cada aventura. Seguindo o propósito de conseguir uma audiência global e falar a um público que não necessariamente detém conhecimento teórico sem aborrecê-lo, a parceria com o estúdio Flurry Door, de MacFarlane, foi um passo essencial.

"Seth é conhecido por suas animações, mas pouca gente sabe que ele é um entusiasta da ciência", conta o produtor Mitchell Connald. "Além disso, Seth tem muita influência em Hollywood, então ele levou o projeto à Fox e conseguiu sua atenção." Como resultado, muitas das histórias dos personagens apresentados em Cosmos são animadas, o que proporciona agilidade à atração e faz um contraponto com as amplas e profundas imagens do espaço escuro, planetas e galáxias.

O primeiro capítulo conta a trajetória do frei dominicano Giordano Bruno, que no século 16 ousou propor a ideia de uma pluralidade de mundos, e foi considerado herege pela Igreja Católica. "Foi ideia de Seth optar por animação e concordamos que seria um atrativo às novas gerações", conta Connald. "Queremos atrair essas crianças. Sou de uma geração que cresceu com as missões à lua, um tempo em que nossos heróis eram astronautas e cientistas. Hoje, os heróis dos meus filhos são atletas, atores, músicos."

Para o apresentador Neil deGrasse Tyson, Cosmos é um lembrete de que a ciência está ao nosso redor, em todos os lugares. "Além de nos posicionar no tempo e no espaço, o programa vai falar sobre o que a ciência pode fazer por nós como indivíduos e nos preparar para o futuro. Hoje, muito se discute sobre como extrairemos energia no futuro ou qual o próximo avanço da tecnologia. Queremos reinstaurar a curiosidade nas pessoas."

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