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'Suburra: Sangue em Roma' é a estreia das produções feitas na Itália da Netflix

Produção traz a tríade que costuma render ótimos roteiros: fé, política e máfia

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2017 | 18h44

Suburra: Sangue em Roma, a primeira série italiana original da plataforma Netflix, reuniu no mesmo pacote três elementos que costumam render ótimos roteiros para o cinema e a TV: fé, política e máfia.

O ritmo lembra muito Gomorra, a sequência de três temporadas que mostrou a máfia sem smoking. Já a estética bebe na fonte da Marseille, a primeira série original francesa da Netflix que apresentou a cidade como personagem principal.

No caso de Suburra, a série leva a uma imersão em Roma e seu entorno, além de mostrar os corredores do Vaticano. A sequência de 10 episódios começa com um padre que integra a cúpula burocrática da Igreja Católica cruzando a cidade até chegar a uma mansão onde foi recebido por prostitutas e cocaína, muita cocaína.

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A farra introduz a trama que move a série: o Vaticano vai vender dois lotes de terra em uma cidade costeira próxima a Roma. O negócio interessa a máfia, que mobiliza seus políticos de plantão.

O cardápio de personagens é saboroso e muito bem construído. Tem um vereador progressista, idealista e ambicioso que flerta com a corrupção, mas sofre com isso, um cruel e calculista Capo di tutti capi da Máfia que detesta ostentação, anda sem escolta, dirige um carro popular e pode ser confundido com um vendedor de seguros e uma família de ciganos ricos e criminosos que é um capítulo à parte.

Da língua “secreta” falada em casa aos tapetes que ornam a mansão do clã, passando pelo Mercedes dourado na garagem, os ciganos formam uma espécie de universo paralelo na selva da metrópole.

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Há em Suburra também um núcleo de mulheres poderosas que roubam a cena. A mais interessante delas é uma senhora de cabelos brancos que se veste como uma diva da moda, mas opera nas sombras com os gângsteres do mercado e da política.

A série também tem a estratégia bem sucedida que consagrou Damages (e foi usada em Bloodline), que é apresentar no início do episódio o desfecho dele e depois retroceder aos dias ou horas anteriores.

Por fim, a série não tem gordura. São dez episódios que esquadrinham 20 dias tensos entre o pedido de demissão do prefeito e a sua saída do cargo. Um rastro de sangue cruza esse caminho.

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