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Stranger Things voltará para a segunda temporada "mais sombrio", dizem atores mirins

Nova leva de episódios chega à Netflix no dia 27 de outubro

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2017 | 06h01

MÉXICO - As batidas e o sintetizador da música Redbone, de Childish Gambino, o projeto musical do também ator Donald Glover (da série Atlanta, entre outras), podem ser ouvidos do outro lado da porta maciça que separa o quarto de um hotel de luxo da Cidade do México do corredor, onde jornalistas aguardam sua vez para falar com Finn Wolfhard, Gaten Matarazzo e Caleb McLaughlin, os atores mirins que estrelam a série Stranger Things, da Netflix.

Quando a porta se abre e a produtora permite a entrada, o som de Gambino cresce. Ali dentro, o trio de garotos de 14 (Wolfhard) e 15 anos (Matarazzo e McLaughlin) está imerso na canção. “É um remix”, explica McLaughlin, o dono do celular dotado de um impressionantemente poderoso alto-falante.

Ele explica que a canção executada ali é uma mistura da sessão instrumental de Gambino com a letra de uma canção chamada Fireflies, de outro artista, o norte-americano Owl City. “Ouço sempre essa música. Inclusive me ajuda a dormir”, conta.

Música pausada, gravador sobre uma desproporcionalmente grande mesa branca disposta no meio do quarto, em uma distância segura dos três, os guris que se tornaram estrelas ao protagonizar a série da Netflix dizem que não podem revelar muito da trama dessa segunda temporada do seriado, cuja estreia está marcada para o dia 27 de outubro – com todos os episódios disponíveis de uma só vez, como é de praxe nas produções originais do serviço de TV por streaming. Assim como na primeira temporada, na qual quase nada foi revelado antes da chegada dos episódios, a estratégia se mantém a mesma para a nova safra. 

“A série ter se tornado um sucesso tão grande já é algo esquisito para nós”, conta Matarazzo, que vive o simpático e boca-suja Dustin Henderson – na série, sempre apresentado com um boné sobre os cabelos cacheados. A vida dos três garotos, desde a chegada da primeira temporada, com oito episódios, em 15 de julho do ano passado, mudou bastante.

Embora eles não sejam as principais estrelas da trama – posto ocupado por Millie Bobby Brown, que vive a introvertida e poderosa Eleven, e Winona Ryder, a mãe agoniada com o sumiço do filho Will, Joyce Byers –, são os três os responsáveis por fazer a ação da série correr o tempo todo. Também são aqueles com mais tempo de tela. 

Amigo na trama, o trio mostra também boa química no quarto de hotel excessivamente quente naquele fim de tarde. Completam histórias uns dos outros. Como quando Wolfhard, enquanto filmava o remake It: A Coisa, que chegou recentemente aos cinemas do País, foi seguido por um casal que se apresentou como fãs.

Eles o abordaram quando ele chegava em casa, pediram para tirar uma foto com o rapaz. “Eu disse que não faria isso, mas só porque eles me seguiram até em casa. Agora eles sabiam onde eu morava. Isso é bem esquisito”, ele conta, enquanto é interrompido por algumas interjeições dos dois colegas. “Algumas coisas malucas dessas têm acontecido com a gente”, diz McLaughlin, mais sério. O sorridente e queridinho dos fãs Matarazzo sorri e concorda. “Nossa, muito, muito loucas!”

O que se sabe a respeito da segunda temporada é que a trama retornará mais sombria, como uma progressão natural do que se viu ao fim do ano anterior. Um ano se passou e Eleven ainda está desaparecida. O ciclo encerrado em 2016, com o desaparecimento e retorno do jovem Will – o quarto garoto da turma de amigos viciados em jogar RPG, amantes de Star Wars e conhecedores profundos das histórias de O Senhor dos Anéis –, tem desdobramentos não tão animadores. 

Will, de volta à escola e à vida normal após um assustador período vivido no Mundo Invertido, uma espécie de realidade paralela à nossa, porém repleta de monstros aterradores, muita neblina e pouquíssima luz, não está bem. Com frequência cada vez maior, tem visões do Mundo Invertido e elas não parecem muito otimistas. Algo grande está vindo em direção à pequenina cidade de Hawkings, onde se passa a série. 

“Definitivamente, a série está mais sombria nessa segunda temporada”, avalia Wolfhard. “É o mesmo tom, ainda há mistérios, mas a trama está se expandindo, crescendo, mesmo. Tudo passa a ter mais consequência também. Will está doente, há novos questionamentos. É isso que podemos falar para você”, conclui. 

Findada a entrevista, McLaughlin é o primeiro a sacar o telefone celular e voltar a tocar a mesma música do início da entrevista. O papo com o Estado era o último da tarde. “Sabe, eu gosto dos anos 1980 (década na qual se passa a série), mas eu gostaria de ficar lá por um dia. Prefiro mais o nosso tempo”, diz ele. Os outros dois confirmam. Todos com os aparelhos celulares em mãos. 

 

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