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'Stranger Things' faz aposta na nostalgia em 3ª temporada

Cada geração sente saudades do tempo em que era jovem e o mundo lhe parecia fresco e promissor

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2019 | 03h00

Cada geração sente saudades do tempo em que era jovem e o mundo lhe parecia fresco e promissor. Já bem entrados na “melhor idade”, os jovens dos anos 1960 recordam com nostalgia a era da revolução, quando a mudança do mundo parecia ao alcance da mão. Os hoje quarentões e cinquentões suspiram por seus verdes anos, nas décadas de 1980 e 1990. 

A sede nostálgica tem estimulado a produção de séries como Stranger Things e Samantha! (Netflix) e o filme Anos 90, de Jonah Hill. A Globo invocou as saudades da década de 1950 em Anos Dourados, dos anos 1960 em Anos Rebeldes e volta-se agora a um tempo mais recente na novela Verão 90

O certo é que invocar o passado quase sempre é aposta bem-sucedida. Baseia-se num mecanismo simples, a capacidade da nossa memória de filtrar lembranças e selecionar as mais agradáveis. A memória, dizem os neurocientistas, não é um depósito rígido de recordações. É uma espécie de ser vivo, que monta a melhor versão de nós mesmos (e do tempo passado), assim como o editor de um filme seleciona as imagens mais ricas e as incorpora na obra final, descartando as demais. Nossa memória afetiva é muito pouco confiável. 

Além do mais, temos mesmo muitos motivos objetivos de inquietação no presente. Poucas vezes o planeta nos pareceu tão instável e ameaçador. Sentimos que a humanidade foi capaz de incríveis avanços tecnológicos, mas falhou em outros quesitos fundamentais. A justiça social não acompanhou a tecnologia, o meio ambiente se degrada, o fim das utopias estimula o fanatismo religioso. Como isso tudo vai acabar e o que legaremos aos nossos filhos e netos? Não sabemos. Na dúvida, como não buscar conforto passageiro num tempo em que vida nos parecia mais simples e feliz?

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