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Stephen Root estrela a 2ª temporada da série 'The Man in The High Castle'

Ator ficou conhecido pelo personagem Milton, de 'Como Enlouquecer Seu Chefe'

Finn Cohen, THE NEW YORK TIMES

03 Janeiro 2017 | 20h14

Você já viu Stephen Root muito mais do que imagina. Ele é aquele ator versátil que todos conhecem, mas não sabem dizer de onde. Claro, há sua inesquecível criação no cultuado clássico Como Enlouquecer Seu Chefe. No filme, ele é Milton Waddams, o incendiário grampeador maluco escondido por trás de óculos grossos, com o indefectível protetor de bolso e a fala empolada, mas viveu vários personagens idiossincráticos nas últimas décadas, com papéis memoráveis em filmes como Onde os Fracos Não Têm Vez, programas de TV tão díspares quanto NewsRadio, Louie e Boardwalk Empire – O Império do Contrabando, além de dublar animações, tais como O Rei do Pedaço e Hora de Aventura.

Agora, ele é o personagem-título da segunda temporada de The Man in the High Castle, da Amazon, uma série baseada no romance de Philip K. Dick, que imagina os EUA ocupados pelos nazistas e pelo império japonês depois de perder a Segunda Guerra Mundial. Ermitão misterioso e bem-vestido, Hawthorne Abendsen, o seu personagem, é responsável pela trama central: uma série de filmes contrabandeados retratando realidades alternativas a que Hitler assiste obsessivamente. “Medo e violência. É isso que somos”, diz ele, na estreia da temporada. Parece familiar?

Por telefone de Los Angeles, Root, de 65 anos, falou sobre o momento oportuno da série e o apelo duradouro dos grampeadores vermelhos. Aqui estão trechos editados da conversa.

Como você se preparou para The Man in the High Castle?

Cresci lendo Arthur Clarke, Ray Bradbury e Clifford Simak e todos esses caras, incluindo Philip K. Dick, mas nunca tinha lido esse livro, coisa que me surpreendeu. Mesmo depois de Frank Spotnitz (criador da série) ter me chamado, só tive a oportunidade de lê-lo depois que filmei o primeiro episódio. Então tive que me basear completamente no roteiro.

Há muitos diálogos da série que podem ser aplicados aos EUA de 2016.

É um texto visionário. Fez da estreia da temporada algo mais interessante para muita gente, porque é um programa sobre a vida dentro de um regime totalitário, o que não existe aqui, mas certamente é uma mudança na situação que estávamos vivendo.

Cada um de seus personagens tem uma linguagem corporal característica. Você passa muito tempo observando as pessoas?

Sim. Essa é uma das coisas que adoro em Nova York. Em Los Angeles, você está em sua nave, dirigindo seu carro, e não consegue observar as pessoas. O metrô é o melhor lugar do século para isso. É exatamente o que você faz quando é ator. Quando estou com um grupo e saímos, prestamos atenção às pessoas até dizer: “Sim, esse é um cara que posso fazer” e o coloco em uma biblioteca permanente da memória.

Você já chegou a seguir alguma pessoa?

Não, mas me aproximo e começo a ouvi-las; às vezes, desço uma ou duas estações depois só para ouvir um pouco mais. Sim, já fiz isso.

Milton foi o resultado de alguém que viu em público?

Não exatamente. Mike Judge (o escritor e diretor de ‘Como Enlouquecer Seu Chefe’) tinha dado a ideia básica de Milton, fez sua voz quando estávamos na Fox. Chamou vários integrantes de O Rei do Pedaço e algumas outras pessoas para ler o roteiro. Ele mesmo ia ler a parte de Milton, mas decidiu na última hora que seria melhor se eu lesse. Eu disse: “Obrigado pela preparação, Mike”. E embora sua versão fosse a de uma voz chorosa, não foi isso o que ouvi quando li o roteiro. Imaginei-o com a língua presa.

Às vezes, parece que não dá para ouvi-lo.

Isso na verdade é da direção de Mike. Conforme Milton é levado cada vez mais ao fundo das entranhas do edifício, Mike queria que ele fosse ficando mais suave. Então, quando ele está sentado no escuro, você mal pode ouvi-lo. O que acho brilhante.

Muita gente tenta falar sobre grampeadores com você?

Quase todo mundo. Quando fiz uma peça em Nova York, pelo menos dois dias por semana apareciam pessoas falando sobre o Milton. Já cheguei a sets de filmagem onde havia uma bandeja de grampeadores esperando por mim. Fico feliz que esse pequeno filme tenha tocado as pessoas. Sempre haverá cubículos. Os computadores vão mudar, mas a mentalidade é a mesma.

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