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Stephen Colbert quer deixar sua marca, no 'Late Show'

Substituto de David Letterman pretende criar uma nova imagem

James Poniewozik - NEW YORK TIMES , O Estado de S. Paulo

09 de setembro de 2015 | 22h17

Stephen Colbert não era dado a manifestações de humildade quando interpretava o especialista fanfarrão em sua série Comedy Central. Mas ele abriu a primeira noite de The Late Show, na noite de terça-feira, dia 8, com um tom humilde. “Não estou substituindo David Letterman”, declarou. É verdade. O desafio de Colbert não é substituir Letterman. Mas substituir Stephen Colbert.

Afinal, o Late Show da CBS não é uma instituição, nem uma espécie de papado como Tonight Show da NBC, com as costumeiras pressões para a sucessão e o legado. Letterman era sui generis, e nenhuma pessoa razoável espera outro Dave. 

A animadíssima, efervescente estreia de The Late Show With Stephen Colbert não estava tão rigorosamente focada. Como convinha à diferença entre um nicho de meia hora de TV a cabo e uma hora de variedades não foi um prato rigidamente preparado, mas um álbum construído menos em torno de um conceito do que de uma atmosfera de divertimentos inteligentes e a urgência de mostrar as diversas habilidades do seu âncora.

Cantar é uma delas. O show abriu com Colbert viajando pelo país para estabelecer uma sintonia com seus variados públicos ao som do hino nacional americano, The Star-Spangled Banner (percebe-se que o patriotismo do seu Report não era uma representação), com seu antigo assistente Jon Stewart com uniforme de árbitro. 

Estes números conferiram ao programa um espírito populista. Colbert estava dando uma festa, mas mais alegre, nerd, do que a reunião de celebridades do programa de Jimmy Fallon na NBC e a extravagância gozadora viral de Jimmy Kimmel na ABC. Os títulos da abertura, que apresenta Nova York como uma paisagem de brinquedos vivos, sugere um espírito no gênero de Wes Anderson de uma peça meticulosamente cuidada, experimental e no entanto preservacionista.

E houve reações emotivas dos trechos mais curiosos e engraçados do programa. No primeiro, ele fez uma barganha com um amuleto diabólico, que exigiu que ele aprovasse um hummus da marca Sabra. Em seguida, ensanduichou a imprescindível sequência de piadas de Donald Trump numa analogia que comparou a cobertura de Trump à marca de biscoitos Oreos: um tipo de junk food ao qual nenhum telespectador mais inteligente poderia resistir. Ele provou o que pretendia, esvaziando um pacote de biscoitos sobre a própria cara.

Outras vezes, The Late Show foi um programa de entrevistas sem ironias, e a primeira entrevista de uma celebridade, com George Clooney - particularmente interessante - incluiu o tipo de sketch de um clipe de filme que costuma entrar nos programas do horário nobre não tão bons.

Mas, no caso de Jeb Bush, o candidato presidencial republicano, o âncora mostrou que era capaz de jogar tanto com bolas rápidas quanto com mudanças em seu repertório. Colbert usou o irmão na plateia, do qual ele discorda em matéria de política, para perguntar a Bush como podia amar seu próprio irmão, o ex-presidente George W. Bush, e, no entanto, discordar dele em política. Bush disse que seria mais conservador em matéria tributária, mas somente depois que Colbert se recusou a deixar que ele se saísse com alguma brincadeira.

Embora este novo Late Show seja muito cheio de sketches e confuso, grande é um objetivo inovador numa época em que os programas do horário nobre foram redefinidos como criadores de conteúdo para o seu celular. É talvez o maior elogio afirmar que nenhum dos melhores trechos do episódio pareceu particularmente viral.

A superabundância do primeiro Late Show With Stephen Colbert talvez seja uma falha, mas é também a melhor razão para esperarmos pelo segundo, e pelos outros cem. Este programa talvez não saiba ainda completamente o que é, mas sabe exatamente quem o seu âncora é: um profissional do entretenimento inteligente, curioso, engraçado que adora estar onde está. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA 

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