Reprodução
Reprodução

'Star Trek' original: no século 23, falando do século 20

Sucesso da série original, que completa 50 anos, se deve à mistura inspirada de aventura com reflexão

João Luiz Sampaio , Especial para o Estado

28 de agosto de 2016 | 05h00

Jornada nas Estrelas, a série original, conquistou espaço tão próprio no nosso imaginário, que é comum esquecer a relação que ela tinha com o momento da TV americana nos anos 1960. Bonanza, Dragnet, Daniel Boone, Perry Mason: histórias ambientadas no velho oeste ou protagonizadas por detetives proliferavam então. E Star Trek deve muito a elas. 

A galáxia, afinal, era apenas a versão cósmica da “terra desconhecida” encarnada pelo velho oeste, repleta de mistérios que precisavam ser solucionados a cada episódio. A diferença é que, com essa fórmula, Star Trek foi capaz de criar um universo próprio de referências cuja vitalidade é atestada pela sucessão de filmes e pelas demais séries que a franquia apresentaria nas décadas seguintes.

Uma possível explicação para tanto tem a ver com a percepção do criador da série, Gene Rodenberry, de que ambientar uma história sobre a humanidade do século 23 permitiria discutir os descaminhos do próprio século 20. No auge da guerra fria, a série colocou na ponte de comando um oficial russo. Em meio à luta pelos direitos civis, a Enterprise tinha como oficial uma mulher negra. E o que dizer, em plena Guerra do Vietnã, de uma Frota Estelar cuja função era o diálogo com outras culturas?

É esse misto de aventura e reflexão sobre a história humana que faz de Jornada um caso especial. Entre 1966 e 1969, a série clássica apresentou apenas 79 episódios. Foram suficientes, no entanto, para lançar as bases de um universo que, 50 anos depois, continua a se desenvolver.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.