'Sou inadequada, mas sou feliz'

Em outra participação especial, a atriz volta à TV como a Regina de O Sistema

Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2007 | 23h08

Graziella Moretto diz que se sente como uma principiante na TV, porque não é uma atriz de personagens a granel. Ela vê isso como um fator positivo na sua carreira, porque consegue manter o frescor apesar da maneira industrial como é feita a televisão. Conhecida por participações especiais, principalmente em papéis cômicos, Graziella está no ar de novo como a Regina da série O Sistema, que estreou na sexta-feira uma temporada de seis episódios.Como é a sua relação com a TV, onde você constrói uma carreira amparada praticamente em participações especiais?Me sinto um pouco principiante na televisão. Ainda não consegui me sentir veterana porque fiz pouca coisa na TV, papéis espaçados e bem diferentes. De um lado, isso proporciona um frescor. É bom, porque a TV tem um processo bem industrializado. E quando eu chego para fazer, tenho sempre a sensação de que devo me enquadrar no ritmo. E não fazer muito dá a sensação de que não estou tão enquadradada. Dou umas patinadas, mas mantenho um olhar meio puro.Você varia não só no tipo de papel, mas também de emissora. Em comparação com a Globo, é muito diferente trabalhar para a Cultura e para a Band?É diferente sim, porque é uma maneira mais artesanal de fazer TV.Mas o que houve com a novela da Band de que você paticipou, Paixões Proibidas?Não cabe a mim julgar a maneira como foi administrada a divulgação da novela. A gente sabe que ela foi bem em Portugal. Foi um trabalho sério, com uma direção generosa do Ignácio (Coqueiro). Mas aqui a novela não teve a oportunidade de ser vista, pela maneira como a emissora distribuiu na grade (a novela ia ao ar às 22h, depois foi passada para as 17h30). Boa parte do texto de O Sistema será encenado no improviso. Você gosta de improvisar?Eu levo o improviso muito a sério. Fiz vários trabalhos assim, já é um formato familiar. O Alexandre Machado e a Fernanda Young (autores de O Sistema) têm um timing muito maluco, porque ao mesmo tempo em que o personagem está todo ali no texto, ele se mantém poroso. O ator fica livre para criar.Como é a Regina, de O Sistema?É um personagem muito próximo do tipo de composição que eu uso nos meus personagens. É o jeito que eu gosto de compor. Regina é quase uma caricatura, um desenho animado. Tem um pai que está doente, e a primeira cena é ela tendo um empréstimo negado, porque ela é uma atendente de telemarketing.Você mesma já se sentiu vítima do sistema?Tenho uma sensação constante e permanente de inadequação. No mundo dos caretas, me sinto uma maluca, e no dos malucos, me sinto uma careta. Não tenho mania de perseguição, sou inadequada mas sou feliz.

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