Sonhos de um noveleiro em 2009

Sexta-feira não valeu, os dias úteis de 2009 começam mesmo a partir desta segunda. E como nem tudo na vida é bater cartão ou trânsito engarrafado, já podemos especular sobre o que a teledramaturgia vai nos oferecer nos próximos meses. A Record virá com novela própria e também com uma coprodução mexicana - além do esperado seriado de Marcílio Moraes, A Lei e o Crime. O SBT, espera-se, deverá investir um pouco mais no setor, agora que a mulher do patrão tomou gosto pela coisa. Revelação está no ar e já é comentada até em balcão de padaria - mas está longe de ser uma maravilha. A Band fechou a lojinha, mas promete novidades. Resta torcer.Por enquanto, a bola está no campo da Globo. De cara, teremos Maysa, a minissérie que Manoel Carlos escreveu para Jayme Monjardim dirigir. Tarefa espinhosa, já que a personagem-título - polêmica, passional, talentosa e complicada - era mãe do diretor. As chamadas indicam mais uma produção caprichada, lotada de ótimos atores pouco conhecidos da TV, mas fica a dúvida. Será que Manoel Carlos conseguiu contar a história próxima da real personalidade da cantora? Ou a atração será um acerto de contas do filho com a mãe morta? Pelo menos, não haverá herdeiros chatos incomodando a emissora com reclamações descabidas.O prato principal do cardápio global, neste começo de ano, é mesmo a novela de Glória Perez, Caminho das Índias. Quem é fã de verossimilhança e exige lógica na ficção já sabe que terá dor de cabeça pela frente. Glória é mestra em tramas que prendem o telespectador, na mesma proporção em que abandonam o bom senso. Na época de O Clone (2001), as idas e vindas entre Marrocos e Brasil viraram piada, de tão fáceis. América tinha núcleos tão pulverizados entre Rio, Miami e Cidade do México, que até hoje tem personagem procurando seu final. Mas que dá pra sentir o cheiro de sucesso, dá. A nós, sentadinhos em nossos sofás, controle remoto na mão, só nos resta torcer para que a criatividade impere e que nossa inteligência seja respeitada pelos programadores de TV. Tem muita gente que adora um chororô mexicano, mas também tem quem goste de histórias bem contadas, personagens cativantes e diálogos com algum conteúdo. Santa Clara, padroeira da televisão, rogai por nós. E-mail: mvianinha@hotmail.com

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