Sob o sol da Toscana

PASSIONE: Uma paixão à italiana e um segredo guardado por 50 anos movimentam a trama de Silvio de Abreu que estreia nesta segunda, 17

Patrícia Villalba, de O Estado de S. Paulo

15 de maio de 2010 | 16h00

Sob um sol fraco de São Paulo, Bete Gouveia (Fernanda Montenegro) passeia de bicicleta no Parque do Ibirapuera com o marido, Eugênio (Mauro Mendonça), sem saber que, sob o sol da Toscana, um filho perdido, de 55 anos, dirige seu trator pelos campos. É um dos poucos momentos de felicidade de Bete, que não vai sofrer pouco em Passione, nova novela das 9 da Globo que estreia nesta segunda, 17, substituindo Viver a Vida.

 

É uma história que, como perfeita saga folhetinesca, começou há mais de 50 anos. Quando Bete conheceu Eugênio, estava grávida de outro homem. Muito apaixonado, ele levou adiante a ideia de se casar com ela, mas não segurou a onda de criar o filho de outro. Por isso, armou para que a criança fosse dada como morta e levada por empregados. À beira da morte, o marido revela a bomba - "Seu filho está vivo, Bete" - e, para compensar o que fez, incluiu o filho perdido no seu testamento. "É uma mulher que, aos 75 anos, tem de recomeçar a vida", explica o autor Silvio de Abreu ao Estado.

 

Bete vai, então, atrás do filho, Totó, papel de Tony Ramos. É aí que entra a tal "passione" do título. Ao ouvir a confissão de Eugênio, a enfermeira Clara (Mariana Ximenes) vê a grande oportunidade de tirar o pé da lama. E planeja um golpe com Fred (Reynaldo Gianecchini) - os dois atores, de feições angelicais, são os vilões da trama.

 

 

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Eles vão para a Itália atrás de Totó, que acaba encantado por Clara. "Ele se apaixonou pela mulher errada, essa é a questão. Ele é um homem de 55 anos, ela tem 20 e poucos - então, ela faz dele gato e sapato, destrói a vida dele toda. É a paixão louca desse homem por essa mulher ordinária", detalha Silvio, que escreveu o argumento a partir da música Mala Femmena, do ator cômico italiano Totó - daí o nome do personagem de Tony.

 

 

A história segue em clima de melodrama até o 100.º capítulo, quando há uma reviravolta. "Desde o começo você vai assistir pensando que é um melodrama, mas há uma história dentro da história que só vou revelar depois. E revelando essa história, a novela entra num clima de investigação policial", adianta o autor.

 

Spaghetti. Para garantir que a paisagem da Toscana não ficasse somente como algo decorativo, mas, como Silvio queria, fizesse realmente parte da história, a diretora-geral Denise Saraceni embarcou para a Itália em março com uma equipe de 40 pessoas e passou cinco semanas gravando, em 50 locações. Fora isso, o trabalho continua no Projac, no Rio, numa cidade cenográfica que, já é tradição na Globo, reproduz com perfeição as típicas ruelas medievais toscanas em 1.480 metros quadrados.

 

Buona gente. Mas entre os campos amarelados e confusão estética apaixonante do Ceagesp, outro cenário importante da novela, o que chama mesmo atenção à primeira vista em Passione é o elenco que Silvio de Abreu e Denise Saraceni conseguiram reunir.

 

Estão lá, além dos já citados, Aracy Balabanian, Cleyde Yáconis, Vera Holtz, Leonardo Villar, Elias Gleizer, Leandra Leal, Irene Ravache, Francisco Cuoco, Carolina Dieckmann, Flávio Migliaccio e Marcelo Médici, entre outros. A maioria foi convidada para interpretar na novela personagens criados sob medida. "Um grande elenco não é o que garante o sucesso de uma novela mas, sim, um elenco adequado", observa Silvio de Abreu, ciente da tamanha responsabilidade de escrever diariamente para tantas estrelas. "O elenco não pode tirar leite de pedra. Claro que se você tiver um bom leite vai fazer um bom pudim ou até salvar alguém da morte com uma mamadeira", ensina Fernanda.

 

E não se pode deixar de dizer que, talvez, "nunca antes na história deste País" tantos galãs foram escalados para o mesmo elenco. Gianecchini, Rodrigo Lombardi, Daniel de Oliveira (foto à esq.), Bruno Gagliasso, Marcello Antony, Cauã Reymond, Kayky Britto e o próprio Tony Ramos que, como diz Fernanda Montenegro na entrevista da próxima página "está muito bonito".

 

 

* Colaborou Alline Dauroiz

 

 

 

FRASES

 

"Quando aqueles grandes espaços toscanos aparecem na TV, entra uma lufada de ar na sala da gente. E nosso Tony merece aquele espaço pra ele"

Fernanda Montenegro

 

"Ela (Clara) apanha da mãe, apanha do Gianecchini e acho que vai apanhar do público também"

Mariana Ximenes

 

"Totó não é ingênuo, não. É apaixonado. Paixão é uma coisa que pode cegar."

Tony Ramos

 

"Primeiro é ‘quem é?’. E o ‘quem é?’ resulta no ‘quem matou?’. Tudo junto."

Silvio de Abreu

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