'Só não quero ser rotulado de mau ator'

De descamisado a galã de novela das 9, Rodrigo Lombardi dribla estigma e defende a categoria

Patrícia Villalba, RIO, O Estado de S.Paulo

21 Março 2009 | 23h26

Não é que andem puxando o cabelo ou arrancando a roupa do ator Rodrigo Lombardi por aí, mas ele sabe que, como o Raj de Caminho das Índias, é o galã do momento. Da mesma forma que, em 2006, sabia que corria o risco de ser rotulado como um dos "descamisados das 7", ao viver o Tadeu de Pé na Jaca, novela de Carlos Lombardi. "Não me incomodei nem um pouco. Eu era descamisado mesmo!", brinca o ator, que conversou com o Estado depois de um dia de gravações na Jaipur cenográfica do Projac.

 

Paulistano e ex-jogador de vôlei, Rodrigo estreou na TV em 1998, na Band, em Meu Pé de Laranja Lima, depois de várias participações em filmes publicitários. "Um amigo levou uma foto minha numa produtora. Nem sabia que foto mandar. Mandei uma em que estava com meu pai e meu cachorro - morrendo de medo que chamassem o cachorro", conta.

No teatro, atuou em produções do Grupo Tapa, como Mandrágora, onde obteve estofo para não se perder na roda de vaidades da profissão. O resultado enche a tela da TV, esteja ele com ou sem camisa. E isso não é obra exclusiva do sorriso ou da mexidinha de cabeça que Raj dá quando é contrariado em cena.

Como você está sentindo a repercussão do Raj?

O que me surpreendeu foi o tamanho disso tudo. Não pensei que fosse desse jeito - uau, todo mundo falando tanto. Nunca tinha feito uma novela das 9, não estava acostumado com isso. O engraçado é que as pessoas chegam com a maior intimidade. Tem gente que bate no meu ombro e diz "ei, preciso te falar uma coisa...".

Dão conselhos?

Ah, direto. Dizem "fica com a Duda, hein!". Mas o conflito do Raj é grande. Ele experimenta o amor com 7 mil anos de tradição nas costas. Não é fácil.

 

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Você vê a novela?

Tenho que assistir. Não gosto de me ver, mas tenho de ver para melhorar, para saber se o que senti bate com o que aparece na tela. Tem dia que dá certo. Em outros, penso que errei na mosca (risos).

Sei que muitos atores detestam esse termo, mas você é "o" galã do momento.

O.k., e o que eu faço com essa informação? As pessoas tendem a rotular quem está na mídia. Hoje, me rotulam de galã. Depois, vou pra outro papel e vou ser "o engraçado"; mais tarde, vou ser outra coisa. Só não quero ser mau ator. O resto, posso ser qualquer coisa, porque sei que isso é fugaz.

Quando você fez o Tadeu de Pé na Jaca, já tinha um histórico bom no teatro. Não ficou magoado por ser rotulado como ?descamisado??

Não, eu era mesmo (risos)! Acabei de fazer uma peça em que eu começava nu (A Moratória), não tenho problema com isso. Quando me chamaram para fazer a novela do (Carlos) Lombardi, já sabia que isso poderia acontecer. E estava preocupado em compor o personagem, ver no que ia dar - com camisa, sem camisa, de cueca ou de terno. Logo depois, fiz o Ciro Feijó de Desejo Proibido, e as pessoas diziam que não tinha nada a ver com o Tadeu de Pé na Jaca. O Raj é o meu quarto papel na Globo e, graças a Deus, os personagens não têm nada a ver um com o outro.

Você já fez teatro e TV. Não vai fazer cinema?

Vou, sim. Fiz um filme (Histórias de Trancoso) que nunca vi, porque não foi distribuído. E dirigi um curta (Simbologia de Um Crime), que participou do festival de Los Angeles. Tenho um projeto para meu primeiro longa, baseado em seis contos do Tchecov, que vou dirigir com o Roberto Carminatti. Já temos o Lima Duarte e o Genésio de Barros no elenco.

É verdade que o Raj ia morrer?

Ah, seu personagem sempre pode morrer - é só você fazer mal... Mas nunca tive essa informação, não.

Circulou uma história na internet de que ele morreria, mas que a autora começou a receber pedidos do público para que ele ficasse.

Que bom, bacana. Obrigado, pessoal!

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