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‘Silicon Valley’ volta  com mais sátiras sobre o mundo da tecnologia

Série da HBO brinca com os nerds que programam computadores e criam aplicativos bilionários

Mariane Morisawa, Especial para o Estado

19 de abril de 2015 | 19h05

LOS ANGELES - Com o avanço da tecnologia, os nerds que programam computadores e criam aplicativos bilionários estão no topo do mundo. Mas sempre tem um Mike Judge (Beavis and Butt-Head) para fazer uma sátira das empresas.com que têm sede no Vale do Silício. É assim em Silicon Valley, cuja segunda temporada começou na sexta, 17, na HBO, às 22h30, com dez episódios – dois a mais do que a primeira.

A série gira em torno dos esforços de Richard (Thomas Middleditch) e seus sócios Erlich (T.J. Miller), Gilfoyle (Martin Starr), Dinesh (Kumail Nanjiani) e Jared (Zach Woods) de lançar um sistema de compressão de arquivos revolucionário. Middleditch conversou com o Estado sobre a segunda temporada.


Silicon Valley tinha tudo para ser um seriado de nicho, mas ele transcendeu esse público. O que explica o sucesso, na sua opinião?

Mike Judge tem um ouvido afinado para o tom satírico. E é engraçado. Mas anos atrás o seriado não teria a mesma ressonância. Hoje em dia, mesmo se você não é ligado em tecnologia, ouve falar dela o tempo inteiro. Está no zeitgeist. Você fica sabendo que o cara do Snapchat recusou não sei quantos bilhões para vender seu app. As pessoas ouvem os TED Talks, como eu faço – se bem que sou bem nerd. Mas muita gente faz isso!

Entende aquele jargão tecnológico que seu personagem fala?

Nem sempre. Algumas horas parece que estou num seriado médico (risos). Temos um consultor no set para nos corrigir ou para explicar o que estamos falando. Algumas vezes, preciso chamá-lo. 

É complicado colocar a tecnologia no nível correto, para não alienar parte do público?

O legal do seriado é que não simplifica as coisas. Tentamos ser engraçados e acessíveis para todo o mundo, mas em termos técnicos também somos específicos para quem trabalha no Vale do Silício. 

Acha que Silicon Valley se atém mais a esses detalhes do que os dramas médicos ou de tribunal?

Não sei. Mas sei que a gente tenta fazer tudo certo. No último episódio da primeira temporada, em que havia todo aquele esquema de como masturbar todos os caras da convenção, um cara da Universidade Stanford criou uma equação matemática (risos). A contagem Weissman, de que eles falam na primeira temporada e serve para medir a compressão de arquivos, foi inventada para o seriado e agora está sendo utilizada em alguns lugares, por ser teoricamente plausível. 

É uma preocupação não cair em estereótipos ao interpretar os nerds?

Existe uma realidade nerd, mas de jeito nenhum queremos fazer um clichê. Um dos nossos nerds também é um satanista (risos). A gente acrescenta algumas esquisitices que tornam os personagens únicos. 

Hoje em dia, ser nerd ou geek é bacana. Acha que a televisão apenas está refletindo a tendência ou a está promovendo?

Não entendo direito de onde vem essa coisa de nerd. Sempre fui nerd. O bom é que agora sou um adulto e não preciso esconder que sou nerd! Ninguém vai me bater ou criticar. De qualquer maneira, um dia vai acabar. Daqui uns dez anos, vai ser assim: “Pelo amor de Deus, guarde essas cartas mágicas!” (risos). 

Existem poucas mulheres no Vale do Silício, mas no seriado seria bom ter mais mulheres, dramaturgicamente. Acha que seria realista acrescentar personagens femininas?

Todo o mundo quer mais mulheres não apenas no seriado, mas na indústria. Eu diria que Monica (Amanda Crew) é uma personagem bem-sucedida e poderosa. Na segunda temporada estamos apresentando outras mulheres. Mas a verdade é que no Vale do Silício elas são raras. Então, meninas, ingressem nas faculdades de tecnologia, interessem-se por computadores, porque vocês são necessárias!

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