Paprica Fotografia/Divulgação
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Seu Jorge vai do fuzil de Marighella à flauta de Pixinguinha

Ator está à frente de dois filmes que fizeram sua estreia no streaming em dezembro de 2021; veja outras sugestões do que assistir

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2021 | 03h00

Rosto brasileiro mais visto nos cinemas em 2021 como Marighella, Seu Jorge está de volta. Após estrear nos cinemas no fim de novembro, a cinebiografia Pixinguinha – Um Homem Carinhoso entrou neste domingo, 12, na plataforma Vivo Play. Com assinatura da Globo Filmes, a produção foge de polêmicas e é feita para emocionar. Seu Jorge faz o papel principal no longa sobre Alfredo da Rocha Vianna Filho (1897-1973), o Pixinguinha, apresentado como o pai da MPB, um gênio incompreendido que só teve sua importância reconhecida muitos anos depois. O clima é de superação: o menino negro de classe média baixa mostra talento na flauta; daí salta para suas composição de obras-primas, como Carinhoso; até sua morte no Rio, em pleno carnaval de 1973.

Trilha sonora

Produzido por Carlos Moletta, que também assina a playlist, Pixinguinha – Um Homem Carinhoso conta com uma trilha sonora de 44 músicas, desenvolvida a partir da mixagem de fonogramas originais com instrumentos adicionais, dando origem a versões modernas de clássicos como Carinhoso, Rosa, Urubu Malandro e Taí, sucesso gravado por Carmen Miranda quando ela tinha 20 anos.

O produtor Carlos Moletta levou 15 anos para finalizar o longa. Houve uma primeira tentativa de filmagem em 2013, por ocasião do aniversário de 40 anos da morte do compositor, mas o projeto não vingou.

Transição

Para a diretora do filme, Denise Saraceni, que tem uma longa trajetória em minisséries e novelas, Pixinguinha foi um processo de transição de linguagem. “A minha trajetória na televisão já incluía o cinema na linguagem das narrativas dos programas que dirigi na Globo. O cinema fez muito bem à televisão do mesmo jeito que o cinema hoje se alimenta da televisão”, disse ela.

O elenco conta também com Taís Araujo, Milton Gonçalves, Danilo Ferreira, Agatha Moreira e Tuca Andrada. 

Cara do pai

Família Soprano é mais que uma série: é quase uma seita. Foi pensando nisso que a HBO MAX lançou o filme The Many Saints of Newark, um longa que volta no tempo para fisgar pela nostalgia a geração que seguiu cada passo da família mafiosa ítalo-americana mais famosa na TV desde os Corleone, de O Poderoso Chefão

A versão adolescente de Tony Soprano é feita por Michael Gandolfini, filho de James Gandolfini, o astro de Família Soprano que morreu em 2013. A semelhança entre os dois é impressionante, quase assombrosa. Detalhe: ele nasceu no ano em que seu pai estreou na televisão na série.

Para iniciados

Para quem viveu em outro planeta e não acompanhou a saga dos Sopranos, fica o aviso. O filme é meio estranho para quem não está familiarizado com a série. The Many Saints of Newark, da HBO MAX, é um filme lento, ou melhor, sem pressa. 

Tribo

O documentário Ex-Pajé, da Netflix, do diretor Luiz Bolognesi, relata a ameaça das igrejas evangélicas sobre a identidade cultural dos povos indígenas. O personagem central é um antigo pajé do povo indígena Paiter Suruí, que foi obrigado a se converter ao cristianismo após ser acusado de ter “vínculos com o diabo”.

Em 2018, quando o documentário estreou no Festival Internacional de Cinema, Bolognesi leu um manifesto em defesa da proteção dos índios brasileiros, ao lado de dois membros da tribo Paiter Suruí. O índio Ubiratã esteve acompanhado da mãe, que entrou pela primeira vez em uma sala de cinema. O documentário levou o prêmio especial do júri.

 

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