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Séries em streaming dão o tom de nova era de ouro da TV

Produções feitas para a internet ganham força com prêmios e contratações de profissionais consagrados

João Fernando, O Estado de S. Paulo

17 Janeiro 2015 | 16h00

Em menos de uma semana, séries produzidas para a internet faturam diferentes troféus no Globo de Ouro – um dos mais importantes prêmios da indústria audiovisual – e Woody Allen assina um contrato para rodar uma obra televisiva exclusivamente para a web (no caso, a Amazon). Poderia ser uma coincidência, entretanto, os acontecimentos evidenciam a relevância que produções elaboradas para a rede são a nova tendência do mercado de entretenimento, não importa o tamanho da tela em que serão exibidas.

Uma das primeiras atrações originais da locadora virtual Netflix, a série House of Cards causou espanto ao receber suas primeiras indicações ao Emmy, o Oscar da TV, e competir de igual para igual com gigantes da TV linear. Laureada como melhor série de comédia no Globo de Ouro, Transparent chama a atenção por diferentes razões. Além do roteiro, sobre o chefe de uma família tradicional e com filhos adultos que se revela transexual, a atração é a primeira investida da loja virtual Amazon em uma produção de TV. 


“Não é exatamente a liberdade de temas o que diferencia as séries de streaming, mas, sim, a qualidade de suas produções. A liberdade no tratamento de temas marcou foi a mudança da TV linear para a TV paga, principalmente depois de Mad Men (2007). Vemos agora o surgimento de mais um provedor de séries diferenciadas. A Amazon é uma marca que faz parte do dia a dia do consumidor e entrega histórias diretamente para o espectador”, avalia Jacqueline Cantore, executiva de TV que já desenvolveu projetos em programadoras como Fox, A&E e Viacom (da MTV), fora do Brasil.

Ela diz que a escolha de um tema mais ousado por parte da Amazon é uma maneira de chamar a atenção do consumidor Amazon Prime, que é quem gasta mais tempo e dinheiro no site. “Eles não querem audiência de massa. Com a contratação de Woody Allen, ficou claro que eles adotaram uma estratégia de conteúdo como a de qualquer outro estúdio: investir no talento (criadores, autores)”, analisa Jacqueline, também responsável pelo programa de roteiristas da Globosat, que, desde 2013, treina os escritores daqui para trabalhar de acordo com o modelo internacional de TV. Por enquanto, não há projeto fechado para a série de Allen. “Não tenho ideias nem certeza de como começar”, confessou o cineasta em comunicado à imprensa.

Outra prova do êxito do streaming é a longevidade das séries do Netflix, o precursor. Os carros-chefes House of Cards, com o laureado Kevin Spacey, e Orange Is the New Black, premiada em categorias menores do Emmy, terão suas terceiras temporadas este ano. Em 2014, o site lançou a superprodução Marco Polo, orçada em US$ 90 milhões. Ainda este semestre, será a vez de Gracie & Frankie, com Jane Fonda e Martin Sheen no elenco.

Jacqueline Cantore explica que os produtores procuram tanto os canais lineares quanto os da internet. “Criadores querem contar suas histórias e que elas sejam vistas”, afirma a executiva. “Hoje, tanto faz se a série está online ou na TV tradicional. Precisa ser um boa história. O conteúdo é o rei.”

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