Aidan Monaghan/AMC
Aidan Monaghan/AMC

Série ‘The Terror’ une drama e sobrenatural

Baseado em romance de Dan Simmons, seriado da AMC conta história real e trágica de dois navios em viagem ao Ártico em 1845

Mariane Morisawa  , Especial para O Estado de S. Paulo

28 Março 2018 | 21h28

LOS ANGELES - Mistério, drama, eventos históricos e um toque sobrenatural se misturam na superprodução The Terror, criada por David Kajganich e Soo Hugh, que estreou na segunda, 26, com episódio duplo, na AMC. A série, baseada no romance O Terror, de Dan Simmons, lançado no Brasil pela editora Rocco, conta a história da Expedição Franklin, composta por dois navios da Marinha inglesa, Terror e Erebus, com cerca de 130 homens a bordo, que em 1845 partiu para o Ártico para descobrir a Passagem Noroeste.

Na história real, os dois navios sumiram, e ninguém sobreviveu. No livro, há especulação sobre uma criatura mítica do folclore inuit que poderia ter assombrado os marinheiros. “Decidimos escrever como um drama guiado pelos personagens, deixando a parte de gênero – o terror, o sobrenatural – se juntar à jornada deles nos momentos necessários”, explicou Kajganich em entrevista ao Estado, em Los Angeles.

Soo Hugh acrescentou: “Havia a tentação, sendo terror, de realmente usar os sustos, as pegadinhas. Tem essa gramática. Mas nós sabíamos, ao contar essa história, que o monstro é apenas um dos terrores. Todas as experiências tinham de ser viscerais”.

O drama está nas costas do comandante da expedição, o arrogante John Franklin (Ciáran Hinds), do capitão do navio Terror, Francis Crozier (Jared Harris), que é mais prudente, e o segundo comandante, James Fitzjames (Tobias Menzies), um sujeito aristocrático sem experiência. “Francis passa por muitas mudanças”, disse Jared Harris, conhecido por seu trabalho na série Mad Men.

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“Ele começa com um grande navio em suas costas, mas sabe que foi traído pela sociedade e pela Marinha, que nunca vai avançar de forma significativa. Ele meio que desistiu. Na jornada, descobre uma determinação que não sabia ter.” Uma das pedras na sua bota é justamente Fitzjames, que conseguiu um lugar importante na expedição mesmo sem ter experiência.

“Ele é um menino de ouro, sempre foi protegido na Marinha. No fim, ele e Francis precisam se entender, algo que seria quase impossível nas estruturas da sociedade vitoriana.” Para o ator, que está em Game of Thrones e Outlander, a série é “sombria, sobre sobrevivência, mas também sobre a força do espírito humano”. 

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Para Kajganich, era importante deixar claro os perigos do excesso de confiança e da arrogância ocidentais. “A audácia e a ignorância necessárias para reivindicar uma terra que não é sua é apavorante”, disse. “Também tivemos muito cuidado para representar a cultura inuit de maneira correta.”

Uma das coisas mais impressionantes da série, que se desenrola lentamente, mas prende a atenção com sua tensão permanente e personagens bem desenvolvidos, interpretados por grandes atores, é o tamanho da produção. Filmar no Ártico seria impossível (até porque a mudança climática faz com que ele seja muito diferente hoje), então tudo foi rodado em estúdio, em Budapeste.

Os efeitos especiais são de primeira linha. Mais um ponto para o canal AMC, que é conhecido por dramas como Mad Men e Breaking Bad e séries de terror como The Walking Dead. The Terror é uma mistura das duas coisas. 

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