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Série ‘The Great’ é biografia bem-humorada da polêmica imperatriz Catarina, a Grande

Trama transita entre a comédia e as cenas sombrias de crueldade da imperatriz que governou a Rússia no século 18

Mariane Morisawa, Especial para o Estado

19 de junho de 2020 | 05h00

LOS ANGELES - Quem está procurando um relato histórico fidedigno sobre Catarina, a Grande, imperatriz da Rússia entre 1762 e 1796, não vai encontrar na minissérie The Great, que já está disponível no serviço de streaming Starzplay. “Uma história ocasionalmente real” é como a série satírica estrelada por Elle Fanning e Nicholas Hoult se apresenta. “Não é um documento histórico, e queremos que o público saiba disso”, disse o roteirista Tony McNamara, em evento da Associação de Críticos de Televisão, em Los Angeles.

O dramaturgo e roteirista australiano já tinha feito algo parecido em A Favorita, de Yorgos Lanthimos, escrito em parceria com Deborah Davis e pelo qual concorreu ao Oscar. McNamara decidiu escrever sobre a imperatriz da Rússia porque sabia apenas uma coisa sobre ela: que talvez tivesse feito sexo com um cavalo. “E fazendo pesquisa, eu descobri tudo sobre ela”, afirmou McNamara sobre Catarina, nascida Sofia na Prússia, num lugar que hoje é território polonês. “Ela chegou a um país que não conhecia. Tomou o poder (do marido Pedro III), implantou a educação para mulheres, manteve o Iluminismo vivo, inventou a montanha-russa.” 

Para o roteirista, havia ali a chance de contar uma história contemporânea. “Porque na verdade a coisa mais conhecida sobre ela – o cavalo – é uma mentira deslavada e, no entanto, define como todos a enxergam. E ela era uma mulher incrível. Parecia uma história fascinante, mas não queria ficar preso a cada detalhe histórico chato. O mais importante era mostrar uma mulher de 20 anos tentando viver sua vida e alcançar a grandeza, e o custo que isso tem.” 

Na série, Catarina (Elle Fanning) é uma princesa da Prússia sem grande fortuna, que chega à Rússia cheia de otimismo e esperança em seu futuro, mas logo vê que as coisas vão ser mais complicadas do que ela esperava. Ela não entende a cultura local. Catarina gosta de ler os novos filósofos, como Voltaire e Diderot, enquanto as mulheres da corte nem são alfabetizadas. Pedro III (Nicholas Hoult) já é imperador (na realidade, ele assumiu o trono 17 anos após o casamento) e não exatamente bom no que faz. Gosta de festas, que riam de suas piadas sem graça, de bebida e sexo, não entende nada de estratégia militar e trata mal os funcionários do palácio e sua mulher. 

É fácil reconhecer o comportamentos de homens e líderes de hoje, sempre em busca de bajulação e aceitação, em Pedro III. Da mesma forma, Catarina passa por certas situações apenas por ser mulher – como o boato que a tornou famosa. “Para mim, era mais importante contar uma grande história sobre uma jovem mulher e sua ascensão do que ser correto historicamente”, explicou McNamara. Porém alguns detalhes, como métodos contraceptivos, são surpreendentemente reais. 

Apesar de todas as dificuldades, Catarina nunca perde sua esperança e usa sua inteligência para navegar uma sociedade machista. “Ela sempre tem um plano B, o que realmente admiro”, lembrou Elle Fanning. “É esperta e curiosa. Mas comete erros no caminho, e eu acho ótimo ver uma personagem feminina que não é perfeita. E ela sabe manipular bem.” 

Hoult, que fez A Favorita, apontou que seu personagem vive à sombra do pai, Pedro, o Grande, amado pelos súditos. “Ele é uma criança cheia de problemas. Foi colocado nessa posição e não está preparado. Só quer ter um herdeiro e ser amado. Mas está falhando nisso também e sendo manipulado por Catarina, tentando melhorar, mas nem sempre conseguindo.” 

The Great transita com facilidade entre os diferentes tons, passando da comédia a cenas sombrias de crueldade num estalo. Mas em geral busca as risadas. Para Elle Fanning, uma veterana mesmo tendo apenas 22 anos, é a primeira comédia. “Fiquei pensando: como é que eu faço para as pessoas rirem?”, questionou, soltando uma gargalhada. “Precisei me acostumar um pouco ao ritmo. Mas o roteiro é tão delicioso que basta falar. Só tive de aprender a não me sentir envergonhada. Tive de derrubar meus muros de proteção e me arriscar um pouquinho mais. Disse a mim mesma: Não fique embaraçada. Seja corajosa. Seja como Catarina.”

 

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