ABC/Bob D'Amico
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Série ‘The Crossing’ mostra o futuro ainda pior do que o presente

The Crossing (na tradução, “a travessia”), estreou no Brasil na sexta, 3, às 22h, no canal AXN

Mariane Morisawa  , Especial para o Estado

05 Agosto 2018 | 06h00

LOS ANGELES - A foto de uma família de refugiados sírios chegando à Grécia – parte de uma série dos fotógrafos Sergey Ponomarev, Tyler Hicks, Daniel Etter e do brasileiro Mauricio Lima, publicadas no jornal The New York Times e premiadas com o Pulitzer – inspirou os criadores de The Crossing (na tradução, “a travessia”), que estreou no Brasil na sexta, 3, às 22h, no canal AXN.

Só que, na série, quem desembarca numa praia americana é um grupo de refugiados do próprio país, vindos de um futuro sombrio. Mas esse foi apenas o ponto de partida. “É a história de pessoas vindo de outro lugar em busca de uma vida melhor e enfrentando dificuldades ao chegar”, disse o produtor Dan Dworkin em entrevista em Los Angeles.

Segundo o também produtor Matt Olmstead, não há agenda política. “A não ser a vontade de lidar com a complexidade da situação, tanto da parte dos refugiados quanto de quem precisa enfrentar as consequências de sua chegada.” 

Um dos mais afetados é o xerife da pequena cidade fictícia de Port Canaan, no noroeste dos Estados Unidos. Jude Ellis (Steve Zahn) está tentando reconstruir sua vida após ter problemas como policial numa metrópole. A pacata Port Canaan parece o lugar ideal para se reconectar com o filho e ter uma vida mais equilibrada, até que dezenas de pessoas que dizem ter vindo de 180 anos adiante aparecem na praia – além de vários mortos na travessia (uma das imagens mais impressionantes é a dos corpos no fundo do mar).

“Vivo numa fazenda nos arredores de Midway, Kentucky”, contou o ator. “Pensei: como seria se isso acontecesse em Midway? Como eu reagiria? Como todos reagiríamos? Achei que o ambiente era importante.” 

Sua realidade vai ser ainda mais sacudida ao se aproximar da refugiada Reece (Natalie Martinez), que procura sua filha, perdida na travessia. Reece é uma Apex, ou seja, um ser humano geneticamente modificado, capaz de coisas que simples mortais não conseguem fazer. 

A combinação de pessoas aparecendo numa praia e mistérios quase sobrenaturais faz pensar em Lost. Os criadores já tinham tentado sua mão no gênero em séries como Surface e The Event, ambas canceladas após uma temporada, e fizeram a lição de casa para acertar desta vez.

Consultaram especialistas para determinar como vai ser nosso futuro, falando de pesquisas de modificação genética a mudança climática. “Uma das razões pelas quais quisemos escrever a série é que existe um debate sobre a direção que as coisas estão tomando. Qual o limite para criar bebês geneticamente modificados? Qual o limite para comida geneticamente modificada? Com a questão dos refugiados, há um debate. É um terreno fértil. Acho que é bom para a série fazer com que as pessoas conversem”, disse Dworkin.

Mas não se esqueceram do entretenimento e estruturaram a primeira temporada para dar um gostinho de quero mais ao espectador. “Fizemos cada episódio de forma que o espectador quisesse voltar para o próximo e um final de temporada para que ele ficasse com vontade de assistir à próxima”, contou ainda Dworkin.

E conseguiram, porque o piloto é bem empolgante, e os primeiros capítulos são realmente intrigantes. Mas o canal americano decidiu não apostar na série, que foi uma das muitas canceladas neste ano. Talvez porque o público não esteja no espírito de encarar um futuro ainda pior do que o presente, a ponto de as pessoas sonharem em voltar para os dias de hoje. 

 

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