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Série ‘The Brink’ satiriza a cúpula do governo dos EUA

Seriado da HBO não perdoa espaços reservados, como a embaixada no Paquistão e um portentoso porta-aviões

Pedro Venceslau , O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2015 | 03h00

A sala de situação (ou de crise) da Casa Branca é um dos locais mais cultuados nas séries norte-americanas de ação e política. Foi lá, por exemplo, que presidentes como Josiah Bartlet (Martin Sheen) e Frank Underwood (Kevin Spacey) viveram momentos tensos e épicos em The West Wing e House of Cards, respectivamente. 

O espaço reservadíssimo de reuniões táticas, onde a cúpula do País monitora e comanda situações extremas, também foi palco de diálogos acalorados entre o presidente David Palmer (Dennis Haysbert) e o agente Jack Bauer (Kiefer Sutherland) na primeira temporada de 24hs

A série The Brink, que estreou semana passada na HBO, manda pelos ares a liturgia da sala reservada e de outros dois espaços – fetiche recorrentes do gênero: a Embaixada dos Estados Unidos no Paquistão e um portentoso porta-aviões. 

O segundo capítulo será exibido neste domingo, dia 28, mas quem perdeu o primeiro pode acessá-lo na página do canal pago no Facebook (por tempo limitado) ou nas opções HBO GO ou HBO On Demand. 

Na série, o presidente é coadjuvante. O fio condutor é uma crise geopolítica e seus efeitos na vida de três homens desesperados: o secretário de Estado Walter Larson (Tim Robbins), o funcionário do Serviço Exterior Alex Talbot (Jack Black), e o piloto de caça da Marinha Zeke Tilson (Pablo Schreiber). 

Membro do primeiro escalão do governo, o secretário é um alcoólatra crônico que não faz a menor questão de usar balas de menta para esconder o bafo de whisky durante o meeting com o presidente e seu núcleo duro.

No caminho até a sala de situação, a secretária e fiel escudeira de Larson pergunta onde está a lista com nomes dos agentes secretos que atuam no Paquistão. “Esqueci no bar do Bob Vans”, responde o secretário, enquanto pinga colírio nos olhos. Depois de dinamitar o clichê das listas sigilosas de agentes secretos que vazam no Oriente Médio, o secretário de Estado protagoniza uma sequência de cenas hilárias no coração estratégico da Casa Branca.

Na outra perna da história, Jack Black circula pelas mesmas ruas de Islamabad que serviram de labirinto para a agente Carrie (Claire Danes) na série Homeland. A diferença é que sua aventura fora dos muros seguros da Embaixada é motivada por uma causa nada nobre: comprar maconha. 

Depois de adquirir a erva, o funcionário do segundo escalão vê a capital do Paquistão entrar em polvorosa e, impossibilitado de voltar, se refugia na casa de seu motorista Rafiq (Aasif Mandvi). Este, por sua vez, mora com pai, que é psiquiatra do vilão fundamentalista maluco que deseja destruir os Estados Unidos. 

No terceiro eixo, o piloto da marinha Zeke Callahan, que é dependente químico, é convocado para uma missão na capital paquistanesa: explodir o núcleo xiita. Antes de decolar do porta-aviões, ele se equivoca na hora de escolher a pílula que o deixa ligado e chega para o combate completamente chapado. A cena é impagável. Ao reunir três astros da comédia para ridicularizar três núcleos sagrados da TV norte-americana, The Brink sinaliza com uma comédia de vida longa.

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