Divulgação
Divulgação

Série 'Supergirl' encabeça uma onda de heroínas

Novo seriado integrará um panorama cultural em que as mulheres com superpoderes estão melhor representadas

Dave Itzoff, THE NEW YORK TIMES

24 Outubro 2015 | 16h00

Numa cena do episódio de estreia da série Supergirl da CBS (que será exibida no Brasil a partir de 4 de novembro, na Warner), baseada no personagem da DC Comics, uma assistente do noticiário, Kara Danvers (que é secretamente a heroína do título), desafia sua chefe, Cat Grant, numa importante questão semântica: Não deveriam chamá-la Superwoman? “Se a chamarmos Supergirl”, pergunta Kara (Melissa Benoist), “será que não seremos culpados de antifeminismo?”

Enfatizando que ela é também uma moça (girl) – poderosa, inteligente e atraente –, Cat (Calista Flockhart) responde: “O que você vê de tão ruim em ‘girl’?”. “Se você vê a Supergirl como uma pessoa menos que excelente”, pergunta Cat, “será que, na realidade, o problema não é você?”

Esse debate maluco e, ao mesmo tempo, sincero que se passa em Supergirl reflete a discussão que vem ocorrendo nas histórias em quadrinhos, na TV, no cinema. Quando Supergirl estrear nos EUA, no próximo dia 26, passará a fazer parte de um panorama cultural em que as super-heroínas estão sendo melhor representadas do que jamais foram: onde elas têm quase a mesma oportunidade de corrigir os erros e combater o crime – e interpretar os papéis principais em suas próprias histórias – como seus musculosos colegas masculinos.

No meio século desde que a Supergirl foi introduzida como uma prima kriptoniana de Superman, a indústria editorial fervilha de heroínas e vilões com suas próprias revistas. Essas mulheres de ficção ainda são analisadas pela maneira como representam seu gênero, o que não ocorre, em geral, com os super-heróis, e a inclusão de que desfrutam nas páginas das revistas não significa que possa ser igualada à sua inclusão na tela. Embora Supergirl deva ser acompanhada neste fim de ano na TV por Jessica Jones da Netflix, não há planos para novos filmes baseados nas super-heroínas da DC e da Marvel nos anos futuros.

Mas os criadores e produtores de todos esses veículos concordam que tem havido progresso, e que o apetite do público por essas campeãs está sendo saciado por uma crescente oferta de personagens e histórias. “Não acredito que o fato de as mulheres serem poderosas seja uma novidade”, disse Ali Adler, produtor executivo de Supergirl.

No nascimento dos quadrinhos sobre super-heróis, antes da 2.ª Guerra Mundial, não se questionava que personagens como a Mulher Maravilha autoritária pudessem estrelar essas histórias, e não serem simplesmente mostradas como paqueras ou donzelas em perigo. “Elas eram agressivas, assumiam responsabilidades e tinham suas próprias aventuras”, disse Gil Simone, que escreve para a série da DC como Batgirl e a Mulher Maravilha.

Mas, com o tempo, ela disse, “foram enfraquecidas”. “Lois Lane se tornou um personagem que só queria saber de casar com o Super-Homem.”

Embora Supergirl ofereça uma mistura de ação, considerada domínio exclusivo do público masculino, além de um drama de relacionamento – em geral, considerado mais atraente para o público feminino –, Greg Berlanti, também produtor executivo da série, disse que essas supostas barreiras não são tão rígidas. “As mulheres apreciam a ação e os homens, as histórias em que entra a emoção. Todos eles têm a capacidade de cruzar a fronteira do gênero.” / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Mais conteúdo sobre:
televisão

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.