Série 'Scandal' chega ao final deixando legado de inclusão

Série 'Scandal' chega ao final deixando legado de inclusão

Seriado foi o primeiro drama de uma hora da TV americana a ser protagonizado por uma mulher negra em 47 anos

Mariane Morisawa, Especial para o Estado

20 Maio 2018 | 06h00

LOS ANGELES - A estreia de Scandal em abril de 2012 foi um marco da televisão americana, com a primeira protagonista negra de um drama de uma hora em 47 anos. Agora que a série produzida pela Shondaland de Shonda Rhimes chega ao final, com os últimos 18 episódios sendo exibidos às segundas, às 23h, no Canal Sony, os atores discutem sua herança. “O legado da Shondaland vai ser de inclusão. Tem sido assim desde Grey’s Anatomy”, disse Bellamy Young, que é Mellie, antes a mulher traída do presidente dos Estados Unidos Fitzgerald Grant (Tony Goldwyn) e hoje presidente dos Estados Unidos, ao Estado, no cenário do Salão Oval da Casa Branca, num estúdio em Hollywood. “Aquele parecia o mundo onde vivo, significava algo para mim, e olha que sou uma mulher branca. A descrição dos personagens não menciona idades ou etnias. Ela está escrevendo sobre almas e histórias e escolhendo um elenco de almas e histórias.” 

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Mas Kerry Washington, que interpreta a protagonista Olivia Pope, a especialista em gerenciamento de crise que se envolveu com o então presidente Fitz e fez de tudo para preservar o poder desde então, tem uma visão um pouco diferente. “Ao mesmo tempo em que Shonda simplesmente abriu o leque de pessoas consideradas para cada papel, ela queria que Olivia especificamente fosse negra”, afirmou. “Porque ela se inspirou numa mulher afro-americana de verdade e achou que sua identidade racial tinha ramificações reais na construção de sua alma.” A atriz viu com seus próprios olhos a transformação que Olivia Pope representou. “Fomos do eu nunca ter visto uma protagonista de drama afro-americana para todos os canais tendo séries com mulheres não brancas como protagonistas.

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Não apenas mulheres negras, mas mulheres simplesmente, mulheres de outras etnias e pessoas de outras etnias. O mundo estava esperando que nossos protagonistas representassem a gama completa da humanidade. Shonda sempre diz que não gosta da palavra ‘diversidade’, gosta de falar de ‘normalização’. Ela não está diversificando, está normalizando a realidade de que o mundo é cheio de pessoas com aparências muito diferentes.”

Washington também sabe da importância do público – do início ao fim, Scandal foi um sucesso de audiência e repercussão. “Se Scandal não tivesse funcionado, muitas dessas outras séries não existiriam agora. Levaria outros dez anos para alguém se arriscar, entre aspas, a ter uma mulher negra como personagem principal de uma série. Então fico grata aos espectadores no mundo todo, porque eles mandaram a mensagem a estúdios e canais de que essas histórias valem a pena ser contadas”, comentou.

A atriz também destaca a presença de não apenas Olivia Pope, mas várias personagens femininas interessantes, como Mellie e Quinn (Katie Lowes), que assume a empresa de Olivia. “Sempre pensamos que a mulher casada e a amante do marido vão ser inimigas para sempre, e veja: Não apenas são parceiras como dominaram o mundo! Ou que quando você está grávida se torna incapaz de ser uma mulher em posição de poder, e Olivia dá as chaves do reino para Quinn, uma mulher grávida. Estamos dizendo ‘não’ a esses mitos culturais e mostrando que a realidade é bem diferente e que há outra maneira de pensar em quem são as mulheres e do que são capazes.”

O elenco, claro, ficou chateado de ver a série acabar, mas confiou na decisão de Shonda Rhimes. “Muita gente acha que, no atual clima do país, as pessoas simplesmente não querem ver política na televisão porque estamos temos muito disso na realidade”, disse Scott Foley, que interpreta Jake Ballard. “Então, provavelmente, é a hora certa de sair de cena.”

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