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Série política da Record, 'Plano Alto', termina nesta sexta

A dez dias das eleições, série mostra que não há inocentes no poder

Cristina Padiglione, O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2014 | 03h00

Ainda que não tenha recebido a merecida audiência, a série Plano Alto, da Record, termina nesta sexta-feira, a dez dias das eleições na vida real, e tem bons motivos para ser celebrada. De Marcílio Moraes, com direção de Ivan Zettel, o título mergulha no universo da política, raro território temático para séries de ficção no Brasil. Até por isso, acabou nos remetendo a House of Cards, a superprodução da Netflix, com Kevin Spacey.

Ambas partem dos bastidores do poder, mas o autor é o primeiro a refutar comparações com a série americana. “Em House of Cards, temos as manobras de um protagonista, Frank Underwood, político ambicioso, para chegar ao poder. Ele opera dentro do sistema político, sem entraves éticos, utilizando-se de todas as armas disponíveis”, escreveu Marcílio em sua página no Facebook. “Já em Plano Alto, temos a visão do sistema político operando a partir de múltiplos e contraditórios agentes, desde os detentores dos poderes constituídos àqueles que querem destituí-los, até os que lutam para simplesmente alterar o esquema de poder ou mesmo acabar com ele. Ou seja, quis fazer uma série com vários pontos de vista, várias vozes simultâneas, uma construção prismática que permitisse a visão de conjunto, superando assim qualquer postura maniqueísta.”

Ao Estado, o autor se diz satisfeito com a sensação de ocupar a tela da TV com uma ficção que reproduz parte do clima eleitoral de Fla-Flu vivido nessa temporada eleitoral, mas sem pender para nenhum dos lados da partida em jogo. O enredo nos conduz a um quadro que evidencia a inexistência de inocentes nesse contexto do poder.

“Todos fazem o jogo. É importante que o eleitor faça o seu também. Eu tenho uma visão um tanto pessimista, acho que não há pessoas boazinhas e pessoas mazinhas, todo mundo defende o seu lado”, fala.

Com reprodução fiel às manifestações de junho de 2013, o enredo se constrói em torno do governador Guido Flores, papel de Gracindo Jr., e os bastidores do poder que envolvem corrupção e falta de ética - tanto dos que o defendem, por interesse no próprio pescoço, como dos que querem sua cabeça.

Ex-militante do Partidão, Marcílio conta foi um “comuna bem cético”. “Nunca fui de acreditar muito em utopias, na redenção da humanidade.” 

Disposta a promover a reflexão no telespectador, Plano Alto também se esmera na contramão do didatismo quase ofensivo que a TV brasileira tem adotado em suas produções. O texto não vem mastigado. 

A baixa audiência - 4 pontos de média na Grande São Paulo - pode até ser justificada pela falta de hábito de fazer o espectador pensar, mas também pelo equívoco da Record em exibir a série logo após A Fazenda, dona de um público interessado em dilemas bem distintos. O autor encerra o 12.º episódio com ganchos abertos para uma possível 2.ª temporada. Resta saber se a Record vai bancar a aposta. 

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