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Série ‘Mr. Robot’ dá humanidade a hacker

Elogiada série conta a história de jovem que não consegue se adequar à sociedade e vive no submundo online

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2015 | 03h00

Elliot Alderson é fruto da própria sociedade na qual se encontra. E na qual não se encaixa. Rapaz com problemas sociais graves, viciado em morfina para apaziguar as angústias de uma rotina robotizada (acordar, ir para o trabalho, voltar para casa e dormir) e altamente inteligente. Elliot é um protagonista anti-herói, como muitos outros já passaram pelos televisores, desde o serial killer Dexter (da série homônima) até o professor de química/traficante de drogas Walter White (Breaking Bad), mas sua trajetória ao longo do seriado Mr. Robot é mais introspectiva e soturna do que os citados anteriores. Ainda assim, sem a passagem deles pelos televisores, é provável que a série do canal USA nunca chegasse a ter luz verde para ser produzida.

A primeira temporada, com dez episódios, estreou nos Estados Unidos em junho e já chegou ao fim. O sucesso foi tão grande, mais de crítica do que de público, que uma nova leva de episódios já foi confirmada. No Brasil, o debute está marcado para esta segunda-feira, 2, pelo canal por assinatura Space.

Assim como Elliot, interpretado por Rami Malek, Mr. Robot é um reflexo do seu tempo. A tão falada nova era de ouro da televisão, iniciada pela série Os Sopranos, no ar de 1999 a 2007, é o ambiente perfeito para que a narrativa ora introspectiva, ora direta encontre espaço na programação. O fluxo de pensamentos de Elliot é narrado durante as cenas. Por vezes, ele quebra a quarta parede e se refere diretamente com o espectador. Em outras ocasiões, nós, do lado de cá da tela, somos tratados por ele como ilusões da sua mente doente. Afinal, qual é a verdade ali?

Mr. Robot traz o conceito dos hackers metafóricos da trilogia Matrix para um escopo mais real. A série o faz sem o glamour e aquelas toneladas de gel nos cabelos dos filmes dos irmãos Wachowski. Não é preciso plugar um cabo na nuca para entrar nesse reino virtual no qual tudo é possível. Elliot e o grupo para o qual ele é escalado, chamado fsociety, uma espécie ficcional de Anonymous, são capazes de realizar façanhas das mais absurdas com uma conexão com a rede. A série de Sam Esmail contextualiza as ações de hackers e os colocam como pessoas tão perturbadas quanto aquelas espionadas por eles.

A ficção de Mr. Robot se posiciona em um futuro não tão distante – ou será presente? –, poucos instantes antes do apocalipse das máquinas ficcional da série de cinema O Exterminador do Futuro. As máquinas já estão por todos os lados, nossas vidas estão praticamente inteirinhas na rede mundial de computadores. Como nesse instante, aliás? Sim. Redes sociais inúmeras, contas de e-mails, registros bancários. Diferentemente da saga estrelada por Arnold Schwarzenegger, contudo, as máquinas ainda não têm vida própria, mas são igualmente perigosas ao serem comandadas por humanos.

É sufocante assistir a cada episódio de Mr. Robot justamente pelo apelo real que a série traz. Sim, alguém com alguma técnica de hacker pode invadir a sua privacidade. Afinal, não foi isso que o escândalo da vigilância global da NSA, de 2013, nos mostrou? Não é por acaso que Edward Snowden, responsável por revelar os planos de espionagem, gosta de Mr. Robot.

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