LUCIANA MELO
LUCIANA MELO

Série mostra construção de Brasília segundo os candangos

Nova produção do History, ‘Mil Dias’ conta a a saga do surgimento da capital sob a ótica de quem fez a cidade

Alessandra Monnerat e Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

22 Abril 2018 | 06h00

Na Brasília de hoje, é difícil encontrar referências aos trabalhadores que construíram a cidade. Além da homenagem mais visível - a escultura Os Candangos, na Praça dos Três Poderes -, outra marca, mais escondida, está no cimento da laje da Câmara. São inscrições deixadas por operários, rabiscadas em lápis: “Que os homens de amanhã que aqui vierem tenham a compaixão dos nossos filhos e que a lei se cumpra”, diz uma das frases, encontradas em 2011.

+ 'Brasília está cheia de marcas dos operários'

Esse pedaço de história inspirou a criação da minissérie Mil Dias - A Saga da Construção de Brasília, do History Channel, que estreia hoje, às 19h. Em quatro episódios, a produção explora a vida de quatro personagens fictícios: um topógrafo, um engenheiro, uma arquiteta e um operário. Eram figuras comuns no grande canteiro de obras que era o Planalto Central no fim da década de 1950, quando a cidade foi erguida em apenas mil dias. Depoimentos de historiadores, arquitetos e urbanistas são intercalados com a ficção.

Para evitar erros históricos, uma equipe de doze pesquisadores da UFMG reuniu depoimentos e documentos de uma parte pouco registrada da construção de Brasília. O rigor histórico da série buscou evitar polêmicas, como a que envolveu a produção O Mecanismo, da Netflix “Tivemos cuidado até pra não colocar uma frase como a do ‘acordão’ na boca de outra pessoa. Não poderíamos nunca fazer isso. Sabemos desse tipo de risco”, disse Krishna Mahon, diretora de conteúdo original do History no Brasil.

Para recriar a construção faraônica, a produtora Cinegroup simulou cenários em 3D para replicar diferentes etapas das obras. “Pesquisamos material fotográfico e buscamos referências da época, o que nos deu uma orientação de ângulos e de que forma os atores ficariam dispostos para o melhor resultado”, explica a produtora-executiva Luciana Pires. 

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