Phil Bray/Divulgação
Phil Bray/Divulgação

Série 'Marco Polo' refaz passos do viajante

Orçada em US$ 90 milhões, produção do Netflix tem estreia mundial no dia 12

João Fernando, O Estado de S. Paulo

08 Dezembro 2014 | 10h27

 Ao selecionar o rosto de Lorenzo Richelmy para o papel de Marco Polo, os produtores da série, que leva o nome da figura histórica, não imaginavam as coincidências entre os dois. “Também sou italiano e estive em muito lugares, viajei bastante na infância, desde os 9 anos. Passei por toda a Ásia”, contou o ator, que veio ao País para Comic Con, na semana passada, para o lançamento da atração, que fica disponível no Netflix a partir de sexta-feira, 12.

Rodada na Itália, Casaquistão e Malásia, Marco Polo reconta – com exageros permitidos pela ficção – a trajetória do protagonista, que, no século 13, saiu de Veneza e partiu para o Oriente com o pai, que, ao apresentá-lo ao imperador mongol Kublai Khan, oferece o herdeiro como servo do governante. Com o jeito poético de descrever o que está ao seu redor, Marco Polo conquista o novo patrão e passar a ocupar um cargo de confiança. “Não vemos os dois como amigos. Um é um pouco mentor e o outro funciona como terapeuta”, compara Lorenzo, de 24 anos.


A nova série é a mais cara das produzidas pelo Netflix. Apesar de a locadora virtual não divulgar as cifras, a imprensa norte-americana estima que foram gastos US$ 90 milhões, distribuídos pelos dez episódios, que entram o ar de uma vez. “Eles nos deram todos os recursos criativos que precisamos. Queria contar a história direito, queria viajar e usar o fundo eletrônico o menos possível. Tudo o que você vê é um cenário de verdade, não é tela verde”, explica o produtor executivo e roteirista Patrick MacManus. Só o departamento de arte da atração teve mais de 160 pessoas. Na figuração, 300 homens receberam figurino de época para representar o exército de Kublai Khan, descendente do lendário Gengis Khan.

De acordo com MacManus, o fato de o protagonista ser um personagem histórico o ajudou na hora de vender a ideia da série, que passou por um pitching, em que produtores oferecem programas aos canais. “Em geral, os executivos ficam todos mexendo no celular. Desta vez, prestaram atenção”, garante. 

Originalmente criada nos Estados Unidos, a série tem equipe estrangeira. “É estranho, é a primeira produção norte-americana que não tem atores norte-americanos”, analisa Lorenzo, que confessa ter melhorado seu inglês após ser recrutado. “Só sabia dizer meu nome, a primeira reunião com eles foi ridícula”, relembra o ator. 

Como a maior parte da trama se passa no Oriente, foram chamados atores com traços locais, como a canadense de origem chinesa Olivia Cheng. “É uma oportunidade de mostrar esse meu lado. Sempre fiz filmes ou séries norte-americanas em que eu era local. Agora, posso mostrar minha história e cultura”, filosofa a atriz, que interpreta a concubina Mei Lin, uma infiltrada na corte de Kublai Kahn.

Na série, sobram cenas de lutas e artes marciais coreografadas, que todo o elenco teve de aprender. “Treinávamos às 7 horas e depois íamos gravar”, conta Chin Han, que encarna um dos vilões, o chanceler da corte inimiga. “Talvez por isso é que eu ficava tão cruel nas cenas, pois ficava cheio de dor depois dos treinos”, confessa.

Para Lorenzo Richelmy, além de resgatar fatos da antiguidade, a série vai ajudar a recuperar o moral de seus conterrâneos. “A Itália é sempre lembrada pela economia ruim, política corrupta e pizzas, mas também somos poetas”, diverte-se. O ator acredita que vai conseguir trazer uma nova perspectiva da história. “Ele (Kublai Kahn) foi um dos maiores imperadores, mas não sabemos nada sobre ele, pois somos muito ocidentais.”

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