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Série ‘Jett’ apresenta Carla Gugino como uma rara anti-heroína

Na série que pode ser vista no canal Max Prime, ela é uma ladra que sai da prisão e decide deixar o crime para cuidar da filha, mas é forçada a fazer um último trabalho

Mariane Morisawa, Especial para O Estado de S. Paulo

12 de agosto de 2019 | 03h00

Uma vida inteira lendo literatura “pulp” e assistindo a filmes noir fez com que Sebastián Gutierrez tivesse a ideia para Jett, sua primeira série de televisão, que já pode ser vista no canal Max Prime. Só que, em vez de fazer de seu personagem principal um homem, como costuma ser o caso nesses gêneros, ele resolveu transformá-lo em uma mulher – e sem ser a “femme fatale”. “A anti-heroína é algo muito raro ainda na TV americana”, afirmou Gutierrez em entrevista ao Estado em Nova York, referindo-se ao fato de o meio ser dominado pelos Walter Whites e Don Drapers da vida. “Os homens podem ser o que quiser, enquanto as mulheres, se forem fortes, são manipuladoras como Lady Macbeth ou tão ineptas para a vida social a ponto de quase estarem no espectro autista.”

Jett (Carla Gugino) é uma ladra que abandonou a profissão ao sair da prisão e ter uma filha. É muito competente e gosta do que faz. Não hesita em atirar se preciso e sempre está jogando pôquer mentalmente, escondendo suas intenções e emoções. Ela é forçada a fazer um último trabalho – e não está achando nada ruim, apesar de saber que, como mãe, não pode correr riscos.

Seria um papel perfeito para Clint Eastwood ou Lee Marvin. “Esses guerreiros solitários são enigmáticos e ainda assim extremamente envolventes, mesmo quando ainda não sabemos se gostamos ou não deles”, lembrou Carla Gugino. “Foi interessante porque nós, atrizes, normalmente precisamos ter reações mais emotivas às coisas, mas, aqui, Sebastián foi muito ousado e me pediu para não demonstrar tanta empatia, nem me comunicar tanto com os olhos”, completou a atriz, que é casada com o diretor.

Gutierrez, nascido e criado na Venezuela, também se baseou na sua mãe, que cuidou dele sozinha, e suas tias. “A sociedade venezuelana é muito machista, mas no fim as mulheres têm de fazer tudo porque os homens simplesmente vão embora. Então queria tratar o mundo do crime da mesma forma, destacando as personagens femininas. Mas sem cair nos clichês superficiais de empoderamento feminino. Jett é meio como a Mulher-Gato de Michelle Pfeiffer, que pode salvar uma moça sendo assaltada, mas não tem tempo para seu chororô.”

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