Karen Ballard / Netflix
Karen Ballard / Netflix

Série 'Girlboss' leva para a TV o surgimento de um império da moda

Seriado da Netflix conta a trajetória de Sophia Amoruso, a criadora da marca Nasty Girl

Pedro Antunes , O Estado de S.Paulo

14 Maio 2017 | 07h30

NOVA YORK - A norte-americana Sophia Amoruso construiu um império a partir do zero. Ou melhor, com a venda de uma jaqueta antiga encontrada em um brechó, repaginada por ela mesma e vendida online. Só em 2012, ela ganhou US$ 100 milhões com sua marca, Nasty Gal, cujo nome é uma homenagem ao disco e música homônimos de Betty Davis, de 1975.

Em 2015, ela deixou a companhia por perceber que não é alguém ligado à gerência de uma empresa e, sim, “uma criadora”, como anunciou. Há três anos, lançou Girlboss, um livro que unia histórias autobiográficas, dicas para empresários e pitacos sobre o mundo fashion. Além de ter erguido seu próprio império, ela também se tornou dona de um dos best-sellers do jornal The New York Times. 

Ela atingiu o topo do mundo. Uma conquista e tanto para quem chafurdava no lixo em busca de comida, aceitava empregos ruins para garantir o seguro-saúde e repetidamente roubada itens de lojas locais. Charlize Theron, vencedora do Oscar, encontrou na trajetória de Sophia uma boa oportunidade de contar a história centrada no universo feminino, de uma “self-made woman”, algo como “mulher que fez seu próprio caminho”.

Comprou os direitos do livro para adaptá-lo para a TV. A série Girlboss foi abraçada pela Netflix e já está disponível no serviço de televisão por streaming. 

“Uma das coisas mais difíceis que já fiz foi me despedir dessa história. A minha história”, contou Sophia, em entrevista ao Estado, sobre o momento em que vendeu os direitos da obra para a produtora de Charlize.

“Pensei muito sobre isso. Mas percebi que havia gente muito boa envolvida no projeto. Era hora de deixar isso partir e seguir seu caminho próprio.” 

O projeto caiu nas mãos de Kay Cannon, produtora responsável por séries que dão espaço para protagonistas femininas, como 30 Rock e New Girl. Experiente no meio, Kay criou dois argumentos para a série. No primeiro, para emissoras tradicionais, ela pretendia transformar a narrativa em uma sitcom mais formatada, contando as desventuras de Sophia e da equipe que trabalhava com a Girlboss. Foi recusada.

Na manga, ela guardava o roteiro que contava, em um arco longo, o início da trajetória da hoje milionária. “Acreditava mais nesse segundo projeto. Talvez por isso as emissoras tradicionais não tenham aceitado”, brinca Kay. A história verdadeira, segundo Charlize Theron, contudo, é que os encontros com executivos da televisão se transformaram em demonstrações de machismo por parte dos engravatados.

“O retorno que tivemos foi chocante!”, contou a atriz em painel organizado pela Netflix em fevereiro. “A maior parte dos executivos era de homens. Saímos daquela reunião com a sensação de que se a gente não encontrasse o lugar certo para esse projeto, ele desapareceria.” 

Em Girlboss, Sophia é interpretada por Britt Robertson, rosto conhecido na TV desde os 10 anos de idade, quando interpretou a versão jovem da protagonista da série Xena: a Princesa Guerreira, em 2000. Ela encara um papel difícil. A versão televisiva de Sophia beira o insuportável. Ego demais, educação de menos.

A garota de 20 e poucos anos de classe média norte-americana, com um desejo inerente de independência, mas com uma penca de valores a menos. Aos poucos, a maturidade chega para a personagem, é verdade, mas a crítica foi severa com o comportamento da garota. “Sabíamos como queríamos começar e como a temporada chegaria ao fim”, diz Kay.

Ao fim dos 13 episódios, Sophia é outra. “As pessoas estão famintas por personagens femininas fortes.” 

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