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Série 'Fora de Controle' estreia amanhã

Ator Milhem Cortaz fala sobre o delegado Medeiros, seu primeiro protagonista na Rede Record

Alline Dauroiz - O Estado de S.Paulo,

07 de maio de 2012 | 10h56

Acostumado aos tipos suburbanos e malandros no cinema - como o tenente Fábio, o Zero 2 de Tropa de Elite -, Milhem Cortaz vai expor, todas as terças, um lado seu que poucos conhecem: o de homem culto, refinado, que gosta de vinhos, boa comida e música clássica. É isso que o ator, paulistano de 39 anos, diz ter em comum com o delegado Medeiros, seu primeiro protagonista na TV, na série Fora de Controle, que estreia amanhã, às 23h15, na Record.

Com 18 anos de profissão, 40 filmes e 10 novelas no currículo, Milhem - que herdou o nome árabe do pai - morou na Itália dos 15 aos 20 anos (foi viver com a tia, para se livrar do vício de cocaína) e formou-se pelo Piccolo Teatro di Milano e pelo Centro de Pesquisas Teatrais, de Antunes Filho. Hoje, em entrevista ao Estado, ri ao lembrar as palavras da atriz Célia Helena, quando ele estudou em sua escola de teatro. “Ela disse que era para eu continuar a trabalhar com finanças, que não teria futuro como ator.”

O público está acostumado a ver você no papel do vilão. É a primeira vez que faz um cara do bem? Ou o delegado Medeiros está mais pra anti-herói?

É a primeira vez que o grande público vai me ver num personagem maduro. É um personagem complexo, viu? Ele não tem insegurança. É um cara da zona sul (do Rio), culto, gosta de música clássica. Não é malandro, bobinho. É inteligente, honesto e virou delegado porque ama a profissão. Mas tem defeitos. É solitário, egoísta e faz justiça com as próprias mãos. A Justiça no nosso País é defasada, protege muito os réus. E ele usa as brechas da lei pra chegar ao que quer. Não usa a violência física porque é mau, mas porque, nesse meio, todo mundo usa. Acredito que ele seja um anti-herói. Mas prefiro pensar nele como um brasileiro apaixonado pelo que faz.

Muitos de seus personagens flertam com a comédia. Vai ter humor no delegado Medeiros?

Não sei, porque não faço pensando. Não domino o timing da comédia. Juro que não faço um personagem para rirem. E, na série, tem gente que faz mais humor. Mas é um humor mais da palavra do que da ação. Aliás, apesar dos trailers mostrarem muita ação, o suspense da série é mais psicológico, tem muito diálogo. Mas sempre levamos em conta o entretenimento. Apesar de tocar em feridas, a gente não quer mudar o País.

Você fez tantos papéis do mundo do crime, que nem precisa mais de laboratório, não?

Facilita estar familiarizado com esse universo. Posso pensar nos personagens. Nunca estou fazendo um filme de ação, mas falando de pessoas. Gosto da criação da pessoa, a forma como muda meu sono, meu olhar para o meu bairro... Isso fascina.

Teme ficar estereotipado?

Medo eu tenho é de ficar desempregado. Quando achar que estou me repetindo nesses personagens que adoro, tensos, problemáticos, solitários, paro de fazer. Mas isso nunca foi problema para mim, porque, no teatro, sempre fui protagonista das coisas que queria. Se na TV eu só fizer coronel, não tem problema, porque o teatro não tem physique du rôle. Qualquer um pode ser o que quiser.

Como, então, escolhe seus trabalhos?

Tenho vergonha do que vou falar: falo bastante “não”, viu? Só escolho histórias que estou a fim de contar. Não são os personagens que me levam a fazer um filme. São as boas histórias.

No cinema, você fez vários coadjuvantes - hoje, coadjuvantes de luxo. Como é fazer o primeiro protagonista na TV?

Já fiz cerca de 40 filmes e, em muitos, fui protagonista, porque um filme nem sempre tem só um protagonista. Mas aqui é a história de um só cara. Estou em cena 98% do tempo. Foi importante para saber se era capaz de segurar um personagem com participação tão grande num produto com agilidade de TV.

Acha que demorou para ganhar destaque também na TV?

Não. Tenho orgulho da minha formação em teatro, porque me trouxe uma realidade menos fantasiosa, mais prática da profissão, das dificuldades, de ensaiar 14 horas por dia durante 4 meses. Meu objetivo nunca foi fazer TV, ser famoso. Sabia que isso seria consequência. Não tenho pressa. O Mestre Silvestre, meu mestre de capoeira, dizia quando eu tentava fazer movimentos que não eram do meu cordão: “Quem corre cansa, quem anda alcança. Não precisa fazer movimentos do outro cordão. Faça melhor o que você já sabe fazer”. Isso foi poderoso no meu caminho. Me deu uma paciência. Porque é tanto não, é tão difícil ser bom ator, fazer bons trabalhos e ser honesto com a sua profissão. A vida é tão dura, que a única coisa que se pode ter é paciência (risos).

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