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Série ‘FBI’, do Universal TV, mostra lado humano dos agentes

Episódios têm casos grandes e complexos, envolvendo crime organizado 

Mariane Morisawa, Especial para O Estado

11 Novembro 2018 | 06h00

NOVA YORK - Dick Wolf, o poderoso produtor por trás das franquias Law & Order e Chicago (Fire, Med e P.D.), sempre quis fazer uma série sobre o FBI – ele tinha um tio na agência e um fascínio por esse mundo. Seu desejo virou realidade com FBI, que estreou no Universal TV, com casos grandes e complexos, envolvendo crime organizado e terrorismo. 

A série chega num momento em que o FBI vem sendo atacado por políticos e parte da população, principalmente desde a demissão do diretor James Comey, em maio do ano passado, acusado de ser partidário. Mas Wolf, experiente, não fez uma série política, que pudesse desagradar a boa parte do público. “O FBI não existe para ser político, mas para resolver os problemas e proteger as pessoas”, disse a atriz Missy Peregrym, que faz uma das protagonistas, a agente especial Maggie Bell. Ebonée Noel, que interpreta a analista Kristen Chazal, concordou. “Não falamos disso na série e pelo que percebemos os agentes não têm permissão de falar disso no escritório. Eles são menos políticos do que as pessoas acreditam. Mostramos o que eles fazem quando estão no trabalho.”

Os próprios atores se surpreenderam ao pesquisar para viver seus personagens. Zeeko Zaki, que vive o parceiro de Maggie, Omar Adom, recém-chegado de um período infiltrado em organizações terroristas árabes, achou que jamais conquistaria o papel, por ser de origem egípcia e muçulmano – originalmente, o personagem seria latino. “Percebi como os agentes eram entusiasmados e apaixonados, e de diferentes idades. Tem gente de todo tipo no FBI, tínhamos de mostrar que não era mais o FBI do J. Edgar Hoover (diretor-fundador da agência), com caras brancos de 1,90 metro, óculos, sérios. Eles precisam ter diferentes perspectivas.” 

Zaki é um raro protagonista árabe e muçulmano na televisão aberta americana e tem noção da sua responsabilidade. “Porque sempre tem alguém, uma pessoa que seja, dizendo que todos os muçulmanos são terroristas. O fato de existir mesmo que uma única pessoa pensando assim e poder fazer com que essa pessoa mude de ideia o suficiente para dizer ‘todos os muçulmanos são terroristas, a não ser aquele cara naquela série de televisão’. Se pudermos fazer essas pequenas mudanças, é uma grande oportunidade.” 

FBI tem um elenco principal bastante variado, composto por três mulheres, uma delas negra – a chefe Dana Mosier (Sela Ward, que substitui Connie Nielsen na posição depois do piloto), a agente Maggie e a analista Kristen –, um especialista em informática asiático (James Chen), um agente especial árabe e muçulmano e apenas um homem branco, o subchefe Jubal Valentine (Jeremy Sisto). Maggie quase sempre usa o cabelo preso, algo tão raro que foi notado e levou à criação da hashtag “rabo de cavalo da justiça”. “A Mulher Maravilha não poderia lutar com aquele cabelão, ia ficar pegando na armadura de metal”, ela comentou, entre risos. Sua personagem mostra empatia pelas vítimas e até por alguns dos perpetradores de crimes.

“Nós, mulheres, somos sensíveis e podemos ser vulneráveis – não que os homens não possam ser. Na minha vida, senti pressão para ser durona, colocar uma armadura, provar que consigo lidar com as coisas, não demonstrar muita emoção, parecer inteligente para ser ouvida. E que se dane isso!”, disse Peregrym. “A série é uma maneira de humanizar essas pessoas, porque não vemos esse lado. Não ouvimos nada sobre os agentes, e para mim era importante lembrar às pessoas que são seres humanos sacrificando muito da sua vida para nos manter seguros. Não estou interessada em ser uma super-heroína, mas em interpretar todas as partes que um ser humano usa para fazer este trabalho.” 

 

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